Mulheres concentram candidaturas nas disputas por vagas de deputada no Acre

Um levantamento com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a maior parte das 138 mulheres que registraram candidatura para as Eleições 2026 no Acre está concentrada nas disputas por vagas de deputada estadual e federal.

Dos registros analisados, 86 mulheres concorrem ao cargo de deputada estadual e 43 ao de deputada federal. Juntas, as duas disputas proporcionais reúnem 129 candidatas.

No Acre, estão em disputa 24 vagas para a Assembleia Legislativa (Aleac) e oito para a Câmara dos Deputados. Atualmente, o Legislativo estadual conta com três mulheres, todas candidatas à reeleição. No Congresso Nacional, também há três representantes do estado, sendo que duas buscam permanecer nos cargos.

Os números foram organizados a partir da base de candidaturas do TSE, atualizada em 31 de agosto. A situação dos registros ainda pode sofrer alterações até o julgamento definitivo pela Justiça Eleitoral, cujo prazo final é 14 de setembro.

Inicialmente, havia 141 mulheres registradas como candidatas no estado. O número, porém, foi reduzido para 138 depois que três mulheres fizeram registros duplicados pelo Solidariedade para cargos diferentes. Como a legislação não permite que uma mesma pessoa tenha mais de um registro no mesmo pleito, elas precisaram escolher qual candidatura manter. O levantamento também considera candidatas que foram declaradas inaptas por outros partidos durante o processo.

Candidaturas femininas por cargo

A presença feminina é muito maior nas eleições proporcionais do que nas disputas majoritárias. Das 138 candidaturas, 129 são para os cargos de deputada estadual ou federal.

A distribuição é a seguinte:

  • Deputada estadual: 86
  • Deputada federal: 43
  • Vice-governadora: 3
  • 1ª suplente ao Senado: 4
  • 2ª suplente ao Senado: 3
  • Senadora: 1
  • Governadora: 1

Nas disputas majoritárias, que incluem governo, vice-governo e Senado, a participação feminina é mais restrita. Há apenas uma candidata ao governo e uma ao Senado.

A única mulher na disputa pelo governo é a atual governadora Mailza Assis (PP). Para o Senado, a única candidata é Mara Rocha (Republicanos).

Já a disputa pela vice-governadoria reúne três mulheres: Jéssica Sales (MDB), Socorro Rodrigues (Podemos) e Daniela Paiva (Agir).

Também há quatro mulheres como primeiras suplentes e três como segundas suplentes nas chapas ao Senado.

Partidos e participação feminina

Entre os partidos, o número de candidatas varia bastante. O Podemos lidera, com 13 mulheres registradas. Na outra ponta, o Agir aparece com apenas uma candidata.

No caso do Agir, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) indeferiu as cinco candidaturas do partido para deputado estadual por descumprimento da cota de gênero. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A legislação eleitoral determina que os partidos e federações assegurem mínimo de 30% e máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais. A regra é calculada sobre o total de candidaturas efetivamente registradas pela legenda ou federação, e não sobre o número de vagas que poderia ocupar.

A exigência se aplica às candidaturas para deputado estadual e deputado federal.

Raio-X das principais legendas

O Podemos é a legenda com o maior número de mulheres entre os registros analisados, com 13 candidatas. Desse total, oito disputam uma vaga na Assembleia Legislativa, três concorrem à Câmara Federal, uma é candidata a vice-governadora e outra aparece como segunda suplente ao Senado.

Na sequência estão o PP, com 12 mulheres, e PDT e PL, com 11 candidatas cada.

O PP distribuiu suas 12 candidaturas femininas entre diferentes cargos: sete para deputada estadual, duas para deputada federal, uma para governadora, uma para primeira suplente e uma para segunda suplente ao Senado.

No PDT, a maioria das mulheres está na disputa pela Assembleia Legislativa. São nove candidatas a deputada estadual e duas a deputada federal.

O PL também tem 11 candidatas, sendo oito para deputada estadual e três para deputada federal.

MDB, Novo e Republicanos aparecem logo depois, com dez mulheres cada.

No MDB, são seis candidatas a deputada estadual, três a deputada federal e uma candidata à vice-governadoria.

No Novo, todas as dez mulheres estão nas eleições proporcionais: oito disputam uma vaga de deputada estadual e duas concorrem à Câmara Federal.

Já o Republicanos tem seis candidatas a deputada estadual, três a deputada federal e Mara Rocha na disputa pelo Senado.

Apesar da quantidade expressiva de mulheres concorrendo às vagas proporcionais, os números mostram uma participação feminina bem menor nos principais cargos majoritários. A disputa pelo governo do Acre, por exemplo, tem apenas uma mulher entre as candidaturas registradas. O mesmo ocorre na eleição para o Senado.

Assim, embora as mulheres representem uma parcela importante das candidaturas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal, a presença feminina ainda é reduzida nas disputas pelos cargos majoritários nas Eleições 2026 no Acre.

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