Câmara discute mudança no sistema eleitoral que pode reduzir influência de puxadores de votos a partir de 2034

A Câmara dos Deputados discute uma mudança no sistema eleitoral brasileiro que pode alterar a forma como deputados federais são eleitos e reduzir o efeito dos chamados “puxadores de votos”. A proposta prevê a adoção do voto distrital misto a partir de 2034, modelo em que o eleitor escolheria tanto um candidato de seu distrito quanto um partido político.

A articulação é conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que negocia com lideranças partidárias a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A intenção é avançar com a votação ainda em 2026. O deputado Domingos Neto (PSD-CE), que já relata uma proposta sobre o tema na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deve assumir a matéria na fase de plenário.

Atualmente, o Brasil utiliza o sistema proporcional de lista aberta. Nesse modelo, os votos recebidos individualmente pelos candidatos e os destinados diretamente aos partidos são somados para definir quantas cadeiras cada legenda conquista. Por isso, candidatos com votação muito alta podem ajudar a eleger outros integrantes da mesma sigla, mesmo que tenham recebido menos votos.

Esse mecanismo é conhecido pelo efeito dos “puxadores de votos”. Entre os exemplos citados no debate estão Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos nas eleições de 2026 e contribuíram para ampliar a representação do PL na Câmara.

Transição pode começar em 2030

A proposta em discussão prevê uma mudança gradual. Em 2030, a intenção seria adotar o chamado distritão, no qual as vagas seriam ocupadas pelos candidatos mais votados individualmente, sem transferência de votos para colegas de partido. O modelo pode favorecer políticos com grande popularidade, mas também dificultar a representação de partidos menores.

A partir de 2034, seria implantado o voto distrital misto. Nesse formato, metade das cadeiras seria preenchida por candidatos eleitos diretamente nos distritos eleitorais, enquanto a outra metade seria distribuída proporcionalmente aos votos recebidos pelos partidos, por meio de listas partidárias.

Na prática, o eleitor teria dois votos: um para escolher o representante de seu distrito e outro para indicar a legenda de sua preferência. Assim, a votação expressiva de um candidato não seria automaticamente utilizada para eleger outros nomes na disputa pelas vagas distritais. Ainda assim, os partidos continuariam tendo influência na composição da Câmara por meio das cadeiras distribuídas proporcionalmente.

Proposta divide partidos

A mudança enfrenta divergências no Congresso. Partidos do Centrão, como PP, União Brasil, PSD e Republicanos, demonstraram apoio à discussão. Já integrantes do PL e do PT manifestaram resistência ao modelo.

O debate ganhou força após o resultado das eleições de 2026. O PL conquistou 121 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, enquanto partidos do Centrão perderam 22 vagas em comparação com a composição eleita em 2022.

Apesar das articulações, a mudança ainda depende da apresentação e aprovação da PEC pelo Congresso Nacional. Até lá, o sistema proporcional de lista aberta permanece em vigor.

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