Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar a composição do Congresso em uma eleição que pode representar um importante teste para o segundo mandato de Donald Trump. A votação ocorre em meio à queda de popularidade do presidente, ao aumento do custo de vida e ao desgaste provocado pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, vão definir os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas, mas enfrentam o risco de perder a maioria para os democratas.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera da votação apontou que a aprovação de Trump está em 32%, próxima da mínima de 31% registrada em outubro. No levantamento, 46% dos entrevistados disseram preferir candidatos democratas ao Congresso, enquanto 38% demonstraram preferência pelos republicanos. Entre os eleitores independentes, metade afirmou que pretende votar contra o partido do presidente.
Na Câmara, os republicanos têm 218 cadeiras, contra 214 dos democratas. A oposição precisa conquistar quatro assentos para assumir o controle. No Senado, a vantagem republicana é de 53 a 47, considerando democratas e independentes alinhados ao partido. Para alcançar a maioria, os democratas precisam chegar a 51 vagas.
Economia e guerra entram no debate eleitoral
O custo de vida aparece entre as principais preocupações dos eleitores, especialmente diante da alta dos preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia. O prolongamento do conflito no Oriente Médio também aumenta a pressão sobre a economia e alimenta críticas à política externa do governo Trump.
Os democratas responsabilizam, entre outros fatores, as tarifas comerciais pelo encarecimento de produtos. Já os republicanos defendem as medidas de endurecimento da política migratória como um dos principais resultados da administração. A regulamentação da inteligência artificial também ganhou espaço nas discussões.
Na véspera da votação, Trump intensificou a campanha para manter a maioria republicana. Durante um discurso em Washington, classificou a eleição como uma das mais importantes da história do país e pediu que os apoiadores votassem como se ele próprio estivesse na disputa. O presidente também voltou a atacar os democratas e defendeu os resultados de seu governo.
Possíveis consequências para Trump
Uma vitória democrata em pelo menos uma das Casas pode limitar a capacidade de Trump de aprovar projetos e implementar parte de sua agenda. Caso conquiste a Câmara, a oposição passará a controlar comissões e poderá convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração republicana.
Também poderá avançar a discussão sobre um novo processo de impeachment. A Câmara tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto o Senado conduz o julgamento político. Uma eventual condenação exige o apoio de dois terços dos senadores.
No Senado, uma mudança de maioria também permitiria aos democratas dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais.
Além dos efeitos imediatos sobre o governo, o resultado deve influenciar as articulações políticas para a eleição presidencial de 2028. Trump não poderá disputar um novo mandato, por já ter exercido dois períodos na Presidência.





