
Redação Juruá Online
Faleceu nesta quinta-feira, 12, aos 101 anos, a professora Fátima Cameli de Messias, figura marcante na história educacional e familiar do Acre. Tia-avó do governador Gladson Cameli, que comunicou a notícia pelas redes sociais, Fátima deixou um legado de trabalho, amor e dignidade que atravessa gerações.
Nascida em 15 de abril de 1924, às margens do Rio Juruá, Fátima era filha de Mamed Cameli, respeitado comerciante, regatão e seringalista, e de Francisca Ferreira Cameli, dona de casa. Desde cedo, testemunhou as lutas e os desafios de uma vida ribeirinha, marcada pela simplicidade e pela coragem.
Casou-se com Rubens Carneiro de Messias, próspero comerciante, com quem construiu uma família sólida, formada pelos filhos Francisco Cameli Messias, Engracia Cameli Messias, Maria Elvira Cameli Messias, Zuleide Cameli Messias e Zilmar Cameli Messias.
Aos 29 anos, a professora Fátima iniciou sua trajetória no magistério no seringal Porto Said, hoje território de Porto Walter. Seus primeiros alunos foram justamente sobrinhos, entre os quais o ex-governador do Acre, Orleir Messias Cameli (in memoriam), e outros nomes de relevância para a história da região.

Foram cerca de 45 anos de dedicação incansável à educação, conciliando as salas de aula com o trabalho no roçado, como relembra seu filho mais velho, Francisco Cameli Messias, de 72 anos. “A mamãe foi uma mulher extraordinária. Ela dava aula de manhã e, à tarde, ia para a inchada, para garantir o sustento da gente e, o mais importante, para garantir que os filhos pudessem estudar”, relatou, emocionado.
Francisco conta que o maior sacrifício da mãe foi abrir mão de ter os filhos por perto para que eles pudessem estudar na cidade. “Ela ficou no seringal enquanto a gente vinha estudar. Depois que crescemos, conseguimos trazer ela para viver aqui na cidade. Tivemos o privilégio de conviver com ela por 101 anos”, disse.
Para o filho, o segredo da longevidade de Fátima Cameli esteve no amor e na união da família. “Nós sempre estivemos juntos. Depois que meu pai faleceu, por mais de 20 anos, não houve um só dia em que a gente não estivesse reunido com ela à tarde. Esse amor que a gente tinha por ela foi o que a manteve firme por tanto tempo”, destacou.
Ao falar sobre o legado da mãe, Francisco resume em uma palavra: exemplo. “Ela deixou para nós a honestidade, a decência e a educação. Nos ensinou a ser homens e mulheres de respeito, e isso é o maior bem que alguém pode deixar para a família”, concluiu.
A professora Fátima Cameli de Messias encerra seu ciclo de vida como uma das matriarcas mais longevas e queridas do Acre, símbolo de força, dedicação e afeto. Sua partida deixa saudade, mas também a certeza de que sua história permanecerá viva nos corações de quem teve o privilégio de conhecê-la.
O governador Gladson Cameli, seu sobrinho-neto, também prestou homenagem. Em publicação nas redes sociais na noite desta quinta-feira, comunicou o falecimento e destacou a importância de Fátima para a família e para a história do Acre, agradecendo pela vida longa e pelos exemplos deixados.







