O Irã intensificou as declarações de caráter militar e afirma estar preparado para responder a uma possível retomada dos ataques dos Estados Unidos após as eleições de meio de mandato norte-americanas, realizadas nesta terça-feira (3). A movimentação ocorre em meio a relatos de novas operações militares e ao aumento das tensões entre os dois países.
Na segunda-feira (2), foram divulgadas informações sobre ataques norte-americanos contra a ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. A operação, considerada de pequena escala, foi relatada pela mídia estatal iraniana e pelo jornal The Wall Street Journal. Caso confirmada, será a primeira ofensiva desse tipo em território iraniano desde setembro.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, major-general Ali Abdollahi, afirmou que o país acompanha os movimentos militares dos Estados Unidos e atualiza seus alvos estratégicos. Em publicação na rede social X, no dia 31 de outubro, ele advertiu que uma eventual ação hostil receberá resposta imediata, sem limitações geográficas.
A declaração ocorreu após uma reunião com o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, que teria determinado que as Forças Armadas estejam prontas para reagir a qualquer ataque norte-americano.
A possibilidade de uma nova ofensiva também ganhou força após reportagens apontarem que Estados Unidos e Israel realizaram exercícios militares conjuntos com o objetivo de preparar uma possível campanha contra o Irã depois das eleições. Questionado sobre a hipótese, o presidente Donald Trump afirmou, em 28 de outubro, que “tudo é possível”.
Histórico de confrontos e negociações
O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o território iraniano, alegando tentar impedir o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo país. Em resposta, o Irã atingiu posições norte-americanas em países vizinhos e anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.
Desde então, foram anunciados cessar-fogo e tentativas de negociação, mas novos ataques voltaram a comprometer a trégua. Nas últimas semanas, representantes iranianos participaram de conversas no Catar, com mediação também do Paquistão, e apresentaram uma proposta de sete etapas para avançar nas negociações. Até a publicação da reportagem original, os Estados Unidos ainda não haviam apresentado resposta.
Apesar das declarações e dos relatos sobre preparativos militares, Washington e Tel Aviv não haviam se pronunciado oficialmente sobre a possibilidade de uma nova ofensiva após as eleições norte-americanas.





