Sarampo: casos confirmados no Acre reforçam importância da vacinação

A confirmação de dois casos de sarampo no Acre acendeu o alerta das autoridades de saúde e reforçou a importância da vacinação e da identificação precoce dos sintomas. A doença é altamente contagiosa, pode começar com sinais semelhantes aos de uma gripe e evoluir para complicações graves, principalmente em crianças pequenas.

Os casos foram confirmados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira (8). Os pacientes são uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, ambas residentes em Puerto Maldonado, no Peru. Antes de receberem atendimento em Rio Branco, as duas passaram pelos municípios acreanos de Assis Brasil e Brasileia.

Conforme a última atualização divulgada, a criança estava internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave. A mulher também permanecia hospitalizada, mas não apresentava sinais de gravidade.

Após a confirmação, as autoridades sanitárias iniciaram medidas de investigação epidemiológica, rastreamento de contatos e prevenção para reduzir o risco de transmissão. A identificação dos casos, entretanto, não significa necessariamente que exista transmissão comunitária do vírus no Acre.

O que está sendo feito para evitar novos casos?

As equipes de saúde intensificaram a investigação dos possíveis locais de exposição ao vírus e o rastreamento das pessoas que tiveram contato com os pacientes.

Também foram previstas ações de bloqueio vacinal em Brasileia e em unidades de saúde de Rio Branco pelas quais os pacientes passaram, incluindo o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e o Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into).

A vacinação nessas ações é direcionada às pessoas com indicação, conforme a avaliação das equipes de saúde e os protocolos de vigilância epidemiológica.

O objetivo é proteger pessoas que possam ter sido expostas ao vírus e impedir que os casos importados provoquem novas cadeias de transmissão.

O que é o sarampo e como ocorre a transmissão?

O sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Morbillivirus. A transmissão ocorre principalmente pelo ar, por meio de partículas respiratórias liberadas por pessoas infectadas ao respirar, falar, tossir ou espirrar.

A capacidade de disseminação é elevada: uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não tenham imunidade, segundo informações do Ministério da Saúde.

Outro fator preocupante é que a transmissão pode ocorrer antes do aparecimento das manchas vermelhas características da doença. O período de contágio começa aproximadamente seis dias antes das lesões na pele e se estende até quatro dias depois de seu surgimento.

Por isso, a identificação precoce dos sintomas e a adoção de medidas de prevenção são fundamentais para evitar novos casos.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas geralmente aparecem entre sete e 14 dias após a exposição ao vírus. No início, o quadro pode ser confundido com uma gripe ou outra infecção respiratória.

Os principais sinais são:

  • Febre alta, frequentemente acima de 38,5 °C;
  • Tosse seca, que pode surgir nos primeiros dias;
  • Coriza, com nariz escorrendo ou congestionado;
  • Olhos vermelhos e irritados, geralmente sem secreção purulenta;
  • Manchas vermelhas na pele, que costumam começar no rosto e atrás das orelhas e depois se espalham pelo corpo;
  • Pequenos pontos brancos dentro da boca, conhecidos como manchas de Koplik, que podem aparecer antes das lesões na pele.

A combinação de febre, manchas vermelhas e sintomas respiratórios exige atenção, principalmente quando envolve pessoas sem vacinação adequada ou que tiveram contato com casos suspeitos.

Quem apresentar sinais compatíveis com a doença deve procurar orientação médica e informar sobre viagens recentes e possíveis contatos com pessoas infectadas. Sempre que possível, é importante avisar a unidade de saúde antes de chegar, para evitar a exposição de outros pacientes.

Quais são os riscos e as complicações?

Embora muitas pessoas se recuperem, o sarampo pode provocar complicações graves. Crianças menores de cinco anos, pessoas com imunidade comprometida e indivíduos com determinadas condições de saúde podem apresentar maior risco.

Entre as principais complicações estão:

  • Pneumonia;
  • Diarreia intensa e desidratação;
  • Otite, que pode comprometer a audição;
  • Encefalite, uma inflamação do cérebro;
  • Sequelas permanentes e, em situações graves, morte.

A infecção também pode enfraquecer temporariamente as defesas do organismo, aumentando a vulnerabilidade a outras doenças.

Dificuldade para respirar, convulsões, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora importante do estado geral exigem atendimento médico urgente.

Como é feito o tratamento?

Não há um antiviral específico de uso rotineiro para eliminar o vírus do sarampo. O tratamento busca aliviar os sintomas, manter a hidratação e a alimentação adequadas e tratar eventuais complicações.

A vitamina A pode ser indicada por profissionais de saúde, especialmente para crianças com sarampo, conforme avaliação clínica e protocolos médicos. A administração de doses elevadas por conta própria deve ser evitada, pois o excesso pode causar intoxicação.

Antibióticos não combatem o vírus e só são utilizados quando existe indicação médica, como em determinadas complicações bacterianas.

Qual vacina protege contra o sarampo?

A vacinação é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Já a tetraviral também oferece proteção contra a varicela, conhecida como catapora.

De acordo com o calendário de vacinação infantil de rotina, o esquema prevê:

  • Aos 12 meses: primeira dose da vacina tríplice viral.
  • Aos 15 meses: segunda dose, normalmente com a vacina tetraviral, conforme as orientações do calendário e a disponibilidade.

Pessoas de outras idades também podem precisar iniciar ou completar o esquema, dependendo da faixa etária, das doses já recebidas e das recomendações das autoridades sanitárias.

Em situações específicas de risco, pode ser recomendada uma dose adicional para bebês de seis a 11 meses e 29 dias, conhecida como dose zero. Essa aplicação não substitui as doses previstas no calendário de rotina.

Quem não sabe se está imunizado ou tem doses atrasadas deve procurar uma unidade de saúde para conferir a caderneta de vacinação. Gestantes e pessoas com imunidade comprometida precisam de avaliação profissional antes de receber vacinas de vírus vivos, como a tríplice viral.

Quem já teve sarampo precisa se vacinar?

Pessoas com histórico confirmado da doença ou vacinação adequada podem já possuir imunidade. A necessidade de novas doses, porém, deve ser avaliada conforme os registros disponíveis e as recomendações sanitárias aplicáveis a cada situação.

Não é recomendável considerar uma pessoa imunizada apenas porque ela se lembra de ter tido manchas na pele durante a infância, já que outras doenças podem apresentar sintomas semelhantes.

A conferência da caderneta de vacinação é uma das formas mais simples de verificar a proteção registrada.

Por que o sarampo voltou a preocupar?

O aumento de casos em diferentes países das Américas levou as autoridades de saúde a reforçar a vigilância epidemiológica e as ações de vacinação.

Segundo os dados citados na atualização divulgada em outubro, até 5 de outubro de 2026, o Brasil havia registrado 52 casos importados de sarampo: 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro.

Naquele levantamento, o país permanecia sem circulação endêmica da doença, situação que indica a ausência de transmissão sustentada local.

Em 2019, o Brasil registrou mais de 20 mil casos e perdeu a certificação de eliminação do sarampo após mais de 12 meses de transmissão. Em novembro de 2024, o país voltou a ser reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) como livre da circulação endêmica do vírus.

A eliminação da transmissão sustentada, entretanto, não significa que o risco desapareceu. Casos importados podem provocar novos focos quando encontram pessoas suscetíveis, especialmente em locais com cobertura vacinal insuficiente.

Diante das confirmações no Acre, as principais recomendações são manter a vacinação em dia, procurar atendimento diante de sintomas suspeitos e seguir as orientações das equipes de saúde. A prevenção continua sendo essencial para proteger a população e evitar que casos isolados resultem em uma nova cadeia de transmissão.

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