Alertas de desmatamento aumentam no Acre e reforçam preocupação ambiental

O Acre registrou aumento nos alertas de desmatamento em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na sexta-feira (9).

Segundo o levantamento, a área sob alerta no estado passou de 22,16 km², em setembro de 2025, para 24,59 km² no mesmo período deste ano. O crescimento foi de 2,43 km².

A elevação acompanha a tendência registrada em toda a Amazônia, que contabilizou 350 km² sob alerta de desmatamento em setembro de 2026, contra 327 km² no mesmo mês do ano passado. Apesar do aumento, o resultado representa o segundo menor índice para setembro na última década, ficando atrás apenas do registrado em 2025.

O Pará liderou os alertas na região, com 177 km², aproximadamente metade do total. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 59 km², e Amazonas, com 51 km².

Apesar da alta mensal, o balanço acumulado dos primeiros nove meses do ano aponta redução de 27% nos alertas de desmatamento na Amazônia. A área passou de 3.272 km², em 2025, para 2.392 km² em 2026.

Desmatamento preocupa pesquisadores em Cruzeiro do Sul

Além dos impactos ambientais, estudos científicos desenvolvidos no Acre apontam que o desmatamento e o avanço da ocupação humana na Amazônia podem favorecer a transmissão de doenças tropicais negligenciadas, como leishmaniose e doença de Chagas. As pesquisas também reforçam evidências anteriores sobre a relação entre alterações ambientais e a proliferação da malária.

Os trabalhos foram conduzidos por pesquisadores do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do programa Iniciativa Amazônia+10. Os resultados foram publicados nas revistas científicas internacionais Parasites & Vectors e PLOS One.

Entre 2022 e 2024, os pesquisadores realizaram expedições de campo em 20 pontos de um assentamento rural de Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá. Localizada na margem esquerda do rio Juruá, a região enfrenta pressão constante do desmatamento, o que permitiu à equipe comparar áreas de floresta preservada com terrenos em diferentes estágios de degradação.

Na investigação sobre a leishmaniose, os cientistas identificaram uma relação entre a densidade do mosquito-palha, vetor da doença, o histórico de desmatamento e o tempo de consolidação da presença humana nas áreas estudadas.

Houve predomínio da espécie Nyssomyia antunesi. Segundo os resultados, a quantidade desses insetos não depende apenas do percentual de vegetação remanescente, mas também das transformações ocorridas no ambiente ao longo do tempo.

Os pesquisadores observaram que os mosquitos conseguem se adaptar a ambientes modificados e ampliar suas populações à medida que as comunidades humanas se estabelecem. Os resultados reforçam a importância de considerar os efeitos das mudanças no uso do solo sobre a saúde pública, especialmente em regiões amazônicas submetidas à pressão ambiental.

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