Reeducandos iniciam curso de marcenaria em Cruzeiro do Sul e ganham oportunidade de qualificação e reintegração social

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Redação Juruá Online

Cerca de 25 reeducandos do Presídio Manoel Neri da Silva, em Cruzeiro do Sul, iniciaram nesta sexta-feira (16) um curso de marcenaria básica. A capacitação busca oferecer novas oportunidades para quem está em cumprimento de pena, contribuindo para a reintegração social e o fortalecimento do mercado local, que sofre com a falta de mão de obra qualificada na área.

O projeto é fruto de uma parceria entre o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (IAPEN), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC). Com carga horária de 270 horas, o curso reúne aulas teóricas e práticas, garantindo aos participantes certificação ao término das atividades.

De acordo com o diretor do presídio de Cruzeiro do Sul, Elves Marros, a iniciativa é uma forma de preparar os internos para o mercado de trabalho e oferecer novas perspectivas após o cumprimento da pena. “Serão 25 presos que, ao final do curso, estarão certificados e aptos a concorrer a vagas no mercado. O objetivo é qualificá-los e contribuir com a demanda da nossa cidade, que hoje carece de profissionais na área de marcenaria”, destacou.

Além da parte técnica, o curso também trabalha questões comportamentais e de convivência, preparando os reeducandos para lidar com clientes e atuar em equipe. Quem reforça essa importância é a professora Monique Tarini, que conduz as disciplinas introdutórias e administrativas. “Eles precisam aprender não apenas a prática, mas a lidar com o público e com os colegas de trabalho. É essencial para quem deseja se reinserir no mercado e construir uma nova história”, afirmou.

A gerente da unidade integrada SEST e Senai no Juruá, Perla Borges, ressaltou que a capacitação chega para atender uma demanda reprimida do município. “O curso é bastante requisitado, pois há carência de profissionais no setor. Os participantes terão mais de 239 horas de prática e sairão capacitados para ingressar no mercado de trabalho com segurança e qualidade”, pontuou.

Para os reeducandos, a oportunidade é vista como um recomeço. Um dos internos, há 11 meses no presídio, destacou a importância da qualificação. “Quando a gente chega aqui, imagina que vai ficar só encarcerado, mas surgem oportunidades como essa, que ajudam a remir pena e ainda garantem uma profissão. Isso vai permitir que a gente saia daqui preparado e pronto para pedir oportunidade com dignidade”, relatou.

Com mais de 35 anos de experiência na marcenaria, o instrutor Antônio Nascimento é quem repassa o conhecimento técnico aos internos. Para ele, além de ensinar, o trabalho representa uma chance de transformação. “Gosto de estar no meio deles e passar meu conhecimento. A demanda de profissionais qualificados é muito grande e esses alunos terão onde trabalhar se se dedicarem. Meu papel é deixá-los prontos para o mercado”, disse.

A expectativa é de que novas turmas sejam formadas e o curso avançado também seja ofertado futuramente, ampliando as oportunidades para quem busca uma nova trajetória longe do crime.

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