A febre do álbum da Copa do Mundo voltou com força total em 2026, mas junto dela cresceu também um mercado ilegal que preocupa autoridades, comerciantes e colecionadores: a venda de figurinhas falsas. Somente nas últimas semanas, operações policiais já apreenderam quase 300 mil figurinhas falsificadas no Brasil.
Os números chamam atenção. Em uma das maiores apreensões deste ano, a Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou cerca de 200 mil figurinhas falsas escondidas no compartimento de bagagem de um ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Além dos cromos piratas, também foram encontradas camisas falsificadas da Seleção Brasileira.
Já em São Paulo, outra operação apreendeu aproximadamente 85 mil álbuns e figurinhas falsificadas, além de cerca de 2 mil camisas irregulares. Cinco pessoas foram presas em flagrante durante a ação policial.
O crescimento impressiona principalmente quando comparado ao cenário da Copa de 2022. Naquele período, os maiores problemas registrados envolviam golpes virtuais, vendas enganosas e especulação em torno das figurinhas raras. As apreensões em grande escala ainda eram menores e menos frequentes.
Em 2022, a corrida pelas figurinhas especiais fez algumas versões raras de jogadores, como Neymar, serem anunciadas por até R$ 9 mil na internet. O alto valor despertou o interesse de falsificadores, que passaram a produzir cópias clandestinas para lucrar com a febre dos colecionadores.
Agora, em 2026, especialistas apontam que o problema se agravou devido ao aumento da procura, dos preços e da quantidade de figurinhas no novo álbum oficial. A edição atual terá cerca de 980 cromos — quase 300 a mais que em 2022 — o que também ampliou o mercado paralelo.
Além do prejuízo financeiro, as figurinhas falsas afetam diretamente colecionadores e crianças. Muitas cópias possuem impressão borrada, cores apagadas, papel de baixa qualidade e tamanhos diferentes dos originais.
Outro problema é a atuação de golpistas nas redes sociais. Segundo especialistas e órgãos de defesa do consumidor, criminosos utilizam promoções falsas e preços muito abaixo do mercado para atrair compradores. Em muitos casos, o consumidor realiza o pagamento e nunca recebe o produto.
Enquanto a paixão pelas figurinhas movimenta milhões e reúne colecionadores em praças, escolas e bancas de jornal, as autoridades alertam que a recomendação é comprar apenas em pontos confiáveis e desconfiar de ofertas “boas demais para ser verdade”.






