O povo Puyanawa comemorou, no domingo (17), os 26 anos da demarcação da Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, no Vale do Juruá. A celebração ocorreu no Centro Cultural Baytewawa, na Aldeia Puyanawa, e reuniu visitantes de diferentes municípios da região.
A programação foi marcada por cantos no idioma tradicional da etnia, apresentações culturais e danças inspiradas nos seres da floresta, além de homenagens às lideranças indígenas que participaram da luta pelo reconhecimento do território ancestral.
Durante a abertura do evento, o ex-cacique Mário Puyanawa, falecido em 2021, foi lembrado como uma das principais lideranças responsáveis pela articulação do processo de demarcação da terra indígena, oficializada pelo governo federal no ano 2000.
O atual cacique, Joel Puyanawa, filho de Mário, destacou a importância histórica da data para o povo indígena.
“Essa é a data histórica mais importante para nós. Celebramos o passado, o presente e o futuro. Por meio dos nossos cantos e danças recordamos a luta dos nossos antepassados incentivando os nossos jovens a valorizarem nossa cultura e tradições”, afirmou.
O mateiro José Lima, de 82 anos, que participou da instalação dos marcos territoriais da terra indígena, relembrou as dificuldades enfrentadas antes da demarcação.
“Antes da demarcação a gente tinha uma vida de sofrimento. Trabalhávamos para os patrões sem ter direito a nada. Mas depois da demarcação nós passamos a ter liberdade para trabalhar no que é nosso”, disse.
A professora Valéria Xinã Yruya, da Escola Indígena Estadual Ixubay Rabui Puyanawa, explicou que a valorização da história e da cultura do povo faz parte do ensino desenvolvido na comunidade.
“Todos os anos fazemos uma caminhada aos limites do nosso território para reencontrarmos a força da natureza, que é a base da nossa cultura Puyanawa”, destacou.






