Por que orçamento de filme sobre Bolsonaro é visto como desproporcional por cineastas

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A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou debate no setor audiovisual sobre os custos reais de uma grande produção cinematográfica.

Segundo reportagem do The Intercept Brasil, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos. A produtora Go Up Entertainment e o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista do longa, afirmam que não tiveram acesso direto ao dinheiro e alegam cláusulas de confidencialidade para não revelar a origem completa dos recursos.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil consideram o valor elevado para os padrões do cinema brasileiro, principalmente por conta do perfil dos profissionais envolvidos e do potencial comercial do projeto.

O ator principal do filme é Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo (2004), dirigido por Mel Gibson. Apesar do sucesso daquele longa, que arrecadou mais de US$ 600 milhões, a carreira recente do ator foi marcada por produções menores, muitas delas ligadas ao público conservador e religioso.

Segundo profissionais do setor entrevistados pela BBC, é improvável que Caviezel tenha recebido um cachê comparável ao de grandes estrelas atuais de Hollywood.

Comparações com filmes brasileiros

Cineastas também apontam que o orçamento supostamente pedido supera o custo de produções brasileiras premiadas internacionalmente.

O filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, teve orçamento estimado em cerca de R$ 45 milhões. Já O Agente Secreto, estrelado por Wagner Moura e indicado ao Oscar neste ano, custou aproximadamente R$ 28 milhões.

A diretora Mariza Leão afirmou que não existe parâmetro semelhante no cinema nacional para um orçamento de R$ 134 milhões.

Ela destacou ainda que até mesmo grandes sucessos de bilheteria brasileira dificilmente recuperariam um investimento desse porte apenas no mercado nacional.

Especialistas ressaltam, porém, que comparar orçamento e qualidade artística nem sempre faz sentido. Filmes baratos já venceram o Oscar, enquanto produções caríssimas fracassaram crítica e comercialmente.

Custos variam conforme local das filmagens

A avaliação sobre o orçamento também depende de detalhes ainda desconhecidos do projeto.

Parte das gravações de Dark Horse ocorreu nos Estados Unidos e parte no Brasil, mas a produtora não informou quantos dias foram filmados em cada país.

Isso influencia diretamente os custos, já que:

  • produções nos EUA costumam ser mais caras;
  • cachês pagos em dólar elevam o orçamento;
  • despesas com seguros, sindicatos e pós-produção variam conforme o estado americano.

Especialistas lembram ainda que filmes costumam manter informações financeiras sob sigilo, incluindo:

  • cachês de atores;
  • custos de edição;
  • efeitos especiais;
  • campanhas de divulgação.

Dependendo da estrutura internacional da produção, alguns profissionais avaliam que um custo próximo de US$ 20 milhões — equivalente a cerca de R$ 100 milhões — não seria impossível.

Mesmo assim, parte do setor considera o valor citado elevado para o perfil artístico e comercial do projeto até o momento.

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