Mais de 44 mil pessoas vivem em áreas de risco em Rio Branco, aponta levantamento

Um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou 87 áreas de risco geológico e hidrológico em Rio Branco, onde vivem aproximadamente 44 mil pessoas. Os dados fazem parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado em parceria com o Ministério das Cidades e com apoio da Defesa Civil Municipal.

Do total de áreas mapeadas, 14 foram classificadas como de risco muito alto, 51 como de risco alto e 22 como de risco médio. Ao todo, os setores identificados concentram 11.017 imóveis. As áreas de risco muito alto reúnem 3.560 pessoas, enquanto os setores de risco alto concentram 35.924 moradores e os de risco médio, 4.584.

O levantamento aponta que as inundações representam quase 60% dos processos de risco identificados, principalmente em razão das cheias recorrentes do rio Acre e de seus afluentes. Também foram registrados problemas relacionados a rastejo de solo, erosões e deslizamentos. Entre os eventos extremos que contribuíram para a análise estão as enchentes ocorridas em 2012, 2015, 2023 e 2024.

Entre os bairros com maior número de moradores em áreas de risco estão Cidade Nova e Quinze, que concentram mais de 7,4 mil pessoas em setores classificados como de risco alto. Também aparecem entre os mais afetados Taquari, com cerca de 5,2 mil moradores; 6 de Agosto, com 4,5 mil; e Recanto dos Buritis, com aproximadamente 3,5 mil pessoas.

O estudo também identificou áreas classificadas como de risco muito alto nos bairros Dom Giocondo, Novo Horizonte, 6 de Agosto, Taquari e na região do Igarapé da Judia, na avenida Durval Camilo. Já a classificação de risco alto inclui bairros como Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Palheiral, Volta Seca, Boa Vista, João Paulo II, Sobral, Laélia Alcântara, Calafate, Taquari, Panorama, Centro, Canaã, Recanto dos Buritis, Santa Inês, Cidade Nova e Quinze, entre outros.

O trabalho de campo foi realizado entre junho e setembro de 2025 e fevereiro de 2026, com participação de pesquisadores do SGB, agentes da Defesa Civil e representantes das comunidades. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) também realizou uma revisão detalhada dos setores classificados como de risco alto e muito alto, contribuindo para a definição de propostas de intervenção.

De acordo com o PMRR, áreas de risco médio exigem monitoramento, enquanto as de risco alto apresentam possibilidade de danos materiais significativos e risco à vida em moradias vulneráveis. Nos setores de risco muito alto, há possibilidade de danos graves e risco iminente à vida, exigindo medidas imediatas.

O plano deverá servir como instrumento para orientar o planejamento urbano, a prevenção de desastres e a busca por recursos para obras de redução de riscos. A partir do diagnóstico, cabe à Prefeitura de Rio Branco estabelecer as prioridades e executar as medidas necessárias para reduzir os riscos identificados.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS