Estudo expõe despreparo de cidades acreanas para enfrentar calor extremo; Rio Branco e Porto Acre preocupam

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Levantamento ligado à COP30 mostra que municípios reconhecem o avanço das ondas de calor, mas ainda carecem de planejamento, estrutura técnica e recursos para agir

Um estudo divulgado pela presidência brasileira da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) acendeu um alerta sobre a capacidade das cidades brasileiras de enfrentar um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas: o calor extremo. No Acre, Rio Branco e Porto Acre participaram do levantamento e revelaram um cenário de preparação insuficiente para lidar com o problema.

De acordo com o relatório, 66% dos municípios participantes em todo o país ainda estão nas fases iniciais de planejamento para enfrentar eventos de calor extremo, mesmo diante do aumento das temperaturas registrado nos últimos anos.

Em Rio Branco, o calor extremo já é reconhecido como uma das três principais ameaças climáticas da capital. O município concluiu o mapeamento das áreas mais expostas e identificou grupos vulneráveis, mas os dados ainda não são utilizados de forma sistemática na elaboração de políticas públicas e projetos de adaptação.

O estudo aponta que a capital acreana não possui uma estrutura institucional específica para tratar do tema. Não há secretaria responsável, orçamento próprio nem mecanismos permanentes de coordenação entre diferentes áreas da administração pública.

Outro ponto que chama atenção é a ausência de iniciativas voltadas à chamada infraestrutura verde e azul, como ampliação da arborização urbana, criação de parques, corredores ecológicos e áreas de sombreamento. Medidas consideradas fundamentais para reduzir a temperatura nas cidades ainda não foram implementadas.

A situação de Porto Acre é ainda mais delicada. O município informou não possuir levantamentos formais sobre exposição ao calor, riscos climáticos ou monitoramento específico das temperaturas locais. Apesar de contar com um setor ou servidor responsável pela temática ambiental, nenhuma ação estruturada para mitigação do calor extremo foi iniciada.

Segundo o levantamento, tanto Rio Branco quanto Porto Acre dependem de financiamento externo para desenvolver projetos de adaptação climática. A principal demanda dos municípios é justamente apoio técnico para elaboração de planos de ação voltados ao enfrentamento das altas temperaturas.

O diagnóstico integra o programa internacional Mutirão Contra o Calor Extremo, conhecido globalmente como Beat the Heat, iniciativa que reúne 258 cidades em diferentes países. No Brasil, a rede conta com 105 municípios participantes.

Os dados nacionais revelam uma realidade preocupante. Embora 93% dos gestores municipais reconheçam o calor extremo como uma ameaça relevante e 68% o coloquem entre os três maiores desafios climáticos locais, a maioria das cidades ainda não possui instrumentos efetivos para responder ao problema.

Atualmente, apenas 42% dos municípios utilizam sistemas de georreferenciamento para mapear áreas de risco e cerca de 85% dependem de recursos externos para colocar em prática qualquer medida de adaptação.

Especialistas alertam que a discussão se torna ainda mais urgente diante da possibilidade de formação de um Super El Niño na segunda metade de 2026. O fenômeno climático poderá intensificar secas e queimadas na Região Norte, aumentar a ocorrência de ondas de calor e ampliar os impactos ambientais e sociais em diversas partes do país.

Para a CEO da COP30, Ana Toni, o enfrentamento do calor extremo exige uma mobilização conjunta entre governos, instituições e sociedade. Segundo ela, o avanço das temperaturas já altera a rotina das cidades, impactando a saúde da população, a educação, o trabalho e a qualidade de vida.

O alerta também é reforçado pelo Pnuma. Dados da organização indicam que o calor extremo provoca cerca de 500 mil mortes por ano em todo o mundo. No Brasil, entre 2000 e 2020, as ondas de calor foram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, superando o número de vítimas causadas por enchentes e deslizamentos no mesmo período.

Diante desse cenário, o estudo conclui que transformar o reconhecimento do problema em ações concretas será um dos principais desafios das cidades brasileiras nos próximos anos.

Com informações: AC24Horas

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