
Redação Juruá Online
A história do comércio em Cruzeiro do Sul não pode ser contada sem mencionar o nome de Epitácio Tomé de Melo. Nascido no Seringal Ouro Preto, filho de seringueiro e dona de casa, ele transformou o que era uma pequena venda de secos e molhados, aberta ao lado do irmão João Melo, em uma das rede das lojas mais tradicionais da cidade.
Desde jovem, demonstrava vocação para os negócios. Nas décadas de 1960 e 1970, em um período de poucas oportunidades e muitas limitações logísticas na região, Epitácio enxergou no comércio uma maneira de crescer e contribuir com sua terra natal.
Apesar de ter dedicado boa parte da vida ao trabalho e de não ter podido completar os estudos, Epitácio sempre fez questão de incentivar os filhos a seguir o caminho da educação. Ao lado da esposa, dona Agamedina Sales de Melo, construiu uma família respeitada na cidade.
Luiz Cunha, empresário e genro de Epitácio, relembra a trajetória do sogro como uma figura fundamental para o desenvolvimento do Juruá e destaca o significado que ele tinha para toda a família: “O senhor Epitácio Melo deixa um grande exemplo para todos nós. Essa despedida final, que está acontecendo aqui na residência dele, é um reflexo disso, né? Muitas pessoas, amigos e conhecidos vieram fazer essa última homenagem porque, antes de tudo, o Epitácio Melo foi um homem cordial, afável, sempre com a característica de tratar muito bem os clientes no balcão da loja, conhecendo e se relacionando com as pessoas, desenvolvendo o comércio. Foi um pioneiro em muitas áreas. Este local aqui, por exemplo, foi uma das primeiras granjas de Cruzeiro do Sul, um aviário que ele criou junto com o irmão. Também foi pioneiro no cultivo e na torrefação de café — inclusive o Café Nauas, uma marca muito conhecida por aqui, foi ele quem iniciou. E, além disso, fundou as Lojas Acruzeirenses, trabalhando com roupas, móveis, eletroeletrônicos. Era uma pessoa que sabia ouvir, e por isso mesmo se tornou um grande comerciante, sempre atento às necessidades das pessoas. Na família, era um homem muito dedicado, na criação dos filhos, e deixa um legado bonito para os netos, que agora também se despedem dele. O Epitácio Melo é o típico filho do Juruá. Ele dizia que veio de lá de cima e que não voltaria mais, que veio para vencer aqui. Casou-se com dona Agamedina no início dos anos 70, formou sua família com muita luta e foi sempre um homem preocupado com o bem-estar da esposa, dos filhos, dos netos e dos parentes. Esse é o grande exemplo que ele deixa. Acima de tudo, foi um homem cordial, afável no trato com as pessoas, sempre com o sorriso e o abraço prontos para os amigos e para todos ao seu redor. E essa lembrança ele deixa para sempre entre nós”.
Mais do que um comerciante, Epitácio Tomé de Melo deixa um legado de contribuição para o desenvolvimento econômico de Cruzeiro do Sul e a marca de quem acreditou no potencial da própria terra.
O comerciante Francisco Camelí, Destacou que Epitacio sempre foi trabalhador, honesto e dedicado à família, contribuindo muito para o comércio da região: “Eu conheci ele desde o começo, sempre foi um rapaz trabalhador. Ele trabalhava com a família lá e depois veio pra cidade. Eu lembro bem que, quando ele se estabeleceu aqui em Cruzeiro do Sul, foi em 1968, se não me engano. Ele trabalhava ali no mercado e foi progredindo. Eu conheci ele junto com outro irmão, o João Melo, e os dois foram crescendo. Depois entraram no ramo do café e sempre trabalhando muito. Era um homem honesto, decente, que tinha o meu respeito. A gente era amigo e eu tinha grande consideração pelo comportamento dele e pelo jeito como trabalhava. Bom pai de família. Depois ele casou com a dona Agamedina, que eu também conhecia — uma família bastante ligada à nossa. Sempre acompanhei o trabalho dele. Depois veio a filha, que ajudou muito, e ele progrediu bastante. Trabalhou muito numa época em que era difícil trabalhar aqui. A gente comprava mercadoria e demorava três, quatro meses pra chegar. Ele enfrentou muitas dificuldades, mas sempre se sobressaiu muito bem, ele e o irmão. Sempre foi uma pessoa muito educada, cuidadosa com os outros. E o bonito é que ele tinha muito prestígio aqui no comércio”.
Epitácio Melo é também reconhecido como um amigo leal e presente na vida de muitos. Para Hélio Bezerra, amigo de longa data e primo de Epitácio, ele se mostrava sempre leal e fraterno: “Eu o considerava como um irmão. A esposa dele também, muito amiga da minha esposa desde a época do colégio. As duas, junto com os filhos, sempre foram como irmãos para a nossa família também. E a convivência com ele era quase diária, porque eu no meu trabalho e ele no dele, mas a gente sempre se encontrava aqui para jogar dominó. Um grande parceiro. O Epitácio foi um grande empreendedor, muito trabalhador, dedicado à família e ao trabalho durante toda a vida. Todos conhecem o empreendimento que ele deixou na cidade, ajudou muito no crescimento de Cruzeiro do Sul. Então, não tenho palavras melhores para descrever a vida do Epitácio aqui na terra: uma vida de alegria, de respeito e de muita educação”.
A trajetória de Epitacio Melo permanece como referência para quem acredita na força do trabalho e na valorização de Cruzeiro do Sul






