Médica é assassinada a tiros em bar no Acre após relatar ameaças e acionar botão do pânico

A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi assassinada a tiros na noite de segunda-feira (2), enquanto conversava com amigos em um bar de Brasiléia, no interior do Acre. Testemunhas relataram à polícia que a profissional teria acionado o botão do pânico momentos antes do crime, mas nenhuma equipe de segurança chegou ao estabelecimento a tempo de evitar o ataque.

O homicídio aconteceu na calçada de um bar localizado nas proximidades do 5º Batalhão da Polícia Militar do Alto Acre. Elyne estava acompanhada de outras três pessoas quando um homem usando capacete se aproximou armado com um revólver e começou a atirar. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação.

A médica foi atingida pelas costas, inclusive na região da cabeça. Mesmo depois que ela caiu da cadeira, o criminoso teria efetuado outros disparos antes de fugir. O ataque aconteceu diante de testemunhas, entre elas uma criança que estava no local.

Médica teria pedido ajuda antes do crime

Segundo relatos de testemunhas divulgados pela imprensa acreana, Elyne possuía uma medida protetiva contra um homem e vinha recebendo ameaças. Na noite do assassinato, esse indivíduo teria passado diversas vezes pela rua onde fica o bar.

Diante da situação, a médica teria acionado o botão do pânico, dispositivo destinado a mulheres que possuem medidas protetivas e precisam solicitar ajuda em situações de risco. Ainda conforme os relatos, a central de monitoramento chegou a entrar em contato por telefone, mas nenhuma equipe teria comparecido ao estabelecimento antes dos disparos.

Uma amiga que estava com Elyne também contou à polícia que, pouco antes do assassinato, um homem em uma motocicleta vermelha parou em uma esquina próxima e aparentemente fotografou as pessoas que estavam à mesa. Momentos depois, outro indivíduo se aproximou e atirou contra a médica.

Outra testemunha, que havia deixado o bar antes do crime, relatou que Elyne havia contado sobre as ameaças. Segundo o depoimento, o homem contra quem ela possuía medida protetiva teria dito que a médica não passaria daquele dia.

O registro policial aponta ainda a existência de dois boletins de ocorrência envolvendo ameaças e descumprimento de medida protetiva relacionados à médica e ao homem mencionado nos relatos. As ocorrências foram registradas em 25 de agosto e 11 de setembro deste ano.

Suspeito teria trocado tiros com policiais

Após o assassinato, equipes policiais iniciaram buscas para localizar o responsável. Durante as diligências, um homem com características semelhantes às do suspeito foi visto no bairro Ferreira Silva, nas proximidades da Escola Socorro Frota, em Brasiléia.

Ao perceber a aproximação dos policiais, ele teria abandonado uma motocicleta e fugido a pé em direção a uma área de mata. Durante a perseguição, conforme informações policiais divulgadas pela imprensa, o homem teria efetuado disparos contra os agentes, que reagiram. Ele conseguiu escapar e não havia sido localizado até as últimas informações.

A participação desse suspeito no assassinato ainda deverá ser esclarecida pela investigação.

CRM-AC lamenta morte e cobra investigação

O Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) divulgou uma nota de repúdio ao assassinato e cobrou uma investigação rigorosa para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar os responsáveis.

A entidade classificou o episódio como um caso de extrema violência e afirmou que a violência contra profissionais da saúde é inaceitável. O Conselho também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão de Elyne.

A médica tinha registro profissional regular no Acre desde 16 de outubro de 2023 e atuava na especialidade de Medicina de Família e Comunidade. Ela se formou em Medicina em 2014 pela Universidad Técnica Privada Cosmos, com diploma revalidado pela Universidade Federal de Sergipe.

O corpo permanecia no Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos periciais. A Polícia Civil investiga o assassinato, as ameaças anteriores e a possível relação entre os episódios. Também deverão ser esclarecidas as circunstâncias do acionamento do botão do pânico, incluindo o contato feito pela central de monitoramento e a ausência de atendimento presencial antes do crime.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o horário em que o dispositivo foi acionado nem sobre as providências adotadas pela central.

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