O Acre registrou diferentes situações de violência e desassistência contra povos indígenas ao longo de 2025. Os dados fazem parte do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e divulgado nesta quinta-feira (13).
O levantamento reúne ocorrências relacionadas à violência contra a pessoa, contra o patrimônio e à omissão do poder público. Entre os principais dados referentes ao Acre está o registro de seis mortes de indígenas por desassistência na área da saúde, sendo três mulheres e três homens.
As informações sobre os óbitos têm como fontes o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), e ainda podem passar por revisão.
O relatório também aponta três casos de desassistência geral no estado. Um deles envolve a Terra Indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó, onde foram identificadas demandas por melhorias no abastecimento de água, construção de açudes, casas tradicionais, internet e pontes, além de ações nas áreas cultural e esportiva. O Ministério Público Federal no Acre instaurou procedimento para acompanhar a implementação das políticas públicas na região.
Outro caso foi registrado na Terra Indígena Kaxinawá do Seringal Curralinho, também em Feijó. No início de 2025, enchentes do rio Envira atingiram aldeias, provocando perdas materiais e destruindo roças de subsistência de mandioca, banana e milho.
Educação
Na área da educação, o Acre contabilizou sete casos de desassistência em 2025. O número faz parte das 111 ocorrências registradas pelo Cimi em 18 estados brasileiros.
Segundo o levantamento, os problemas incluem falta de estrutura e manutenção das escolas, além da ausência de unidades de ensino em algumas aldeias. As dificuldades acabam prejudicando o acesso à educação escolar indígena específica e diferenciada.
Violência e ameaças
O relatório registrou ainda dois casos de tentativa de assassinato contra indígenas no Acre, dentro dos 38 episódios contabilizados em todo o país. O estado também teve um caso de lesão corporal, entre as 33 ocorrências registradas nacionalmente.
Foram identificados ainda dois casos de ameaça contra indígenas no Acre.
O levantamento aponta também situações envolvendo a retenção de cartões e senhas de beneficiários de programas sociais. Em uma operação realizada nos municípios de Jordão e Tarauacá, foram apreendidos 300 cartões do Bolsa Família.
O Acre aparece ainda com um caso de racismo e discriminação étnico-cultural, entre as 46 ocorrências registradas em todo o país.
Na área de violência sexual, o estado teve um caso registrado, dentro dos 25 episódios contabilizados contra indígenas em todo o Brasil durante 2025.
Os dados apresentados no relatório evidenciam diferentes formas de violência e vulnerabilidade enfrentadas por povos indígenas no Acre, abrangendo desde problemas no acesso à saúde e à educação até ameaças, violência física, discriminação e dificuldades relacionadas às condições de vida nas aldeias.





