Taxa no estado mais que quadruplicou em cinco anos e supera média nacional, segundo o Atlas da Violência 2026
O Acre aparece entre os estados com os piores indicadores de internações por lesões autoprovocadas entre jovens de 10 a 19 anos. De acordo com dados do Atlas da Violência 2026, divulgados nesta segunda-feira, o estado registrou, em 2024, uma taxa de 8,1 internações por 100 mil habitantes nessa faixa etária — índice superior à média brasileira, que ficou em 6,4.
O levantamento aponta uma escalada dramática nos últimos anos. Em 2019, o Acre tinha taxa de apenas 1,9 internação por 100 mil jovens. O salto de mais de 300% em cinco anos representa o maior crescimento proporcional registrado entre todas as unidades da federação no período analisado.
O ano de 2022 marcou o pico da série histórica no estado: foram 18 óbitos por suicídio entre adolescentes e uma taxa de 11,0 internações por 100 mil habitantes. Embora tenha havido redução em 2024, com 10 mortes registradas, os números ainda permanecem acima da média nacional, acendendo o alerta das autoridades sanitárias.
Especialistas vinculam o fenômeno a uma combinação de fatores sociais, econômicos e familiares que afetam de forma desproporcional crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O relatório reforça a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas de prevenção, com ênfase no acolhimento psicológico e na promoção da saúde mental na rede de atenção básica e nas escolas.
O Atlas da Violência 2026 é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e consolida os principais indicadores de violência e vulnerabilidade social no país.






