Os casos de hantavírus identificados em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina com destino à África acenderam alerta internacional e levantaram dúvidas sobre a doença, considerada rara, mas altamente perigosa. Passageiros de mais de 20 nacionalidades estavam a bordo e começaram a ser repatriados. Até o momento, não há registro de brasileiros entre os infectados.
O episódio também reacendeu o debate sobre a hantavirose no Brasil, onde o vírus circula há mais de 30 anos em determinadas regiões. Apesar disso, autoridades de saúde reforçam que o caso registrado no cruzeiro não tem relação com surtos em território brasileiro.
Isso porque a cepa identificada na embarcação é a chamada “cepa andina”, variante que possui circulação registrada apenas na Argentina e no Chile, segundo informações do Ministério da Saúde.
Doença rara, mas com alta letalidade
Embora pouco conhecida pela maior parte da população, a hantavirose preocupa especialistas pela rápida evolução e pelo alto índice de mortes entre os infectados.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 1993 e 2025, o Brasil confirmou 2.429 casos da doença, com 997 mortes registradas no período, uma taxa de letalidade próxima de 41%.
Somente em 2026, o país contabilizou sete casos confirmados e uma morte até o dia 27 de abril, data da última atualização epidemiológica disponível.
A doença é considerada endêmica no Brasil, o que significa que o vírus permanece circulando de forma contínua em algumas regiões, principalmente em áreas rurais e locais com presença de roedores silvestres, principais transmissores da infecção.
Regiões com maior número de casos
Segundo o Ministério da Saúde, os maiores índices de hantavirose estão concentrados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), forma mais grave da doença, já foi registrada em 16 estados brasileiros e no Distrito Federal. Entre eles estão:
- São Paulo
- Minas Gerais
- Rio de Janeiro
- Paraná
- Santa Catarina
- Rio Grande do Sul
- Goiás
- Mato Grosso
- Mato Grosso do Sul
- Rondônia
- Amazonas
- Pará
- Bahia
- Maranhão
- Rio Grande do Norte
- Distrito Federal
Como ocorre a transmissão
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. A infecção pode ocorrer pela inalação de partículas contaminadas presentes no ar, especialmente em ambientes fechados, depósitos, celeiros e áreas rurais pouco ventiladas.
Os sintomas iniciais costumam se parecer com os de uma gripe forte, incluindo febre, dores no corpo, cansaço e dificuldade respiratória. Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar e cardíaco.
Especialistas reforçam que, apesar da preocupação gerada pelo caso no cruzeiro internacional, não existe atualmente indicação de surto da cepa andina no Brasil.






