Uma noite de Libertadores terminar com classificação e vaias pode parecer inexplicável — mas foi esse o cenário vivido pelo Botafogo, nesta quarta-feira, diante do Nacional Potosí. Após um primeiro tempo de pontaria descalibrada, o clube carioca caiu de rendimento na segunda etapa e passou certo sufoco contra um rival muito inferior. Mesmo assim, prevaleceu a vitória por 2 a 0 e a classificação à terceira fase da pré-Libertadores.
As principais mudanças no time titular foram o retorno de Danilo, desfalque no jogo de ida, e a ausência de Neto, sequer relacionado por opção técnica de Martín Anselmi. O Botafogo foi a campo com Léo Linck; Ponte, Bastos e Barboza; Vitinho, Newton, Danilo e Alex Telles; Barrera, Montoro e Matheus Martins.
Se na altitude boliviana, a postura do time foi de esperar o Nacional Potosí dar as cartas para tentar minimizar o desgaste físico, o Botafogo logo partiu para cima no Nilton Santos. Apostando em bolas longas e na velocidade por ambos os lados do campo, o time precisou de exatos 44 segundos para Vitinho finalizar na trave.
Em lance similar, Danilo lançou Alex Telles, que ganhou do marcador na correria para marcar um golaço. Com quatro minutos, o cenário já apontava para uma plena superioridade do Botafogo em solo carioca – o que não seria exatamente uma surpresa, diga-se.
Matheus Martins finalizou para defesa de Galindo, Barboza cabeceou na trave… O chute de fora da área também surgiu como artifício, e foi assim que Vitinho chutou nova bola que beliscou o travessão.
O problema é que, na prática, esse cenário de amplo domínio não se transformou em números. O Botafogo fez jogo para sair ainda na primeira etapa com quatro ou cinco gols de vantagem, com a classificação mais do que encaminhada.
Já nos acréscimos, Barboza — que viveu uma verdadeira noite de “faz-tudo”, dos cortes na defesa à participação no ataque — ajeitou de cabeça, Restrepo afastou mal e Danilo fez o segundo gol, que carimbou a classificação.
É difícil achar explicações para a postura do Botafogo no segundo tempo. Recorrendo a toques de bola de um lado para o outro, sem uma transição mais efetiva, os comandados de Martín Anselmi sofreram uma brusca queda de rendimento.
Frente a uma sequência de erros de tomada de decisão, Anselmi demorou e fez substituições burocráticas, quiçá previsíveis: Artur na vaga de Barrera, que fez seu pior jogo pelo Botafogo; Arthur Cabral entrando para a saída de Matheus Martins; Joaquín Correa substituindo Montoro, também muito abaixo.
Na prática, houve pouco impacto prático ou mudança de esquema. Quando os bolivianos mais abriram espaços e deixaram brechas para o Botafogo apostar na velocidade, o time não tinha peças à altura para responder em campo. Lucas Villalba, talvez a grande opção possível, permaneceu no banco.
Na etapa final, Damián Villalba chegou a assustar a torcida, chutando na trave de Léo Linck. Vale destacar, ainda, a postura do Botafogo de recorrer a chutões com o goleiro em quase toda situação de pressão vinda dos rivais.
O sufoco desnecessário ajuda a explicar por que, apesar da classificação, o clima no apito final passou longe de ser festivo. Em vez de celebrar o avanço, a torcida do Botafogo preferiu vaiar. Que fique o alerta.
Na terceira fase, o Botafogo terá pela frente o Barcelona de Guayaquil (Equador), que eliminou o Argentinos Juniors nos pênaltis. As partidas de ida e volta estão marcadas para as semanas de 4 e 11 de março; os comandados de Martín Anselmi decidem no estádio Nilton Santos.
O Botafogo volta a campo no próximo sábado, às 19h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Boavista pela semifinal da Taça Rio. No primeiro confronto entre os times, houve vitória alvinegra por 2 a 0. A partida será no estádio Nilton Santos.
Por Globo Esporte






