
Redação Juruá Online
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) conta com uma nova coordenação no Vale do Juruá. O cargo, que marca um momento histórico, passa a ser ocupado pela primeira mulher a assumir a posição na regional. A professora Edna Luiza Alves Yawanawa, de 47 anos, foi anunciada como nova coordenadora da Funai, e residia anteriormente no município de Tarauacá.
Licenciada em Educação Escolar Indígena, do curso de Licenciatura Indígena, na área de Ciências Sociais e Humanidades pela Universidade Federal do Acre- Ufac, Campus Floresta, Edna construiu sua trajetória na área da educação e agora assume o desafio de conduzir os trabalhos da fundação junto às comunidades indígenas de toda a regional.
“Estou muito feliz, muito honrada de estar aqui. Para mim, é uma grande alegria assumir um cargo tão especial, que vem para ajudar no diálogo com as comunidades indígenas. Eu espero que essa nova coordenação, esse novo trabalho, dê continuidade àquele que já vinha sendo realizado. A gente espera ter um diálogo mais próximo com todas as lideranças indígenas e com Brasília também, para ver realmente o que a Funai tem para nós, os povos indígenas, e o que pode e o que não pode. A minha função aqui é dialogar, intermediar, acompanhar as problemáticas nos territórios, criar e fortalecer as parcerias que já existem com as organizações indígenas, abrindo um diálogo democrático com todas as lideranças, ouvindo e executando aquilo que cabe à Funai fazer”, declarou Edna.
A nova coordenadora explicou ainda que a regional abrange todo o Vale do Juruá, contemplando os municípios de Feijó, Tarauacá, Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima e demais localidades da bacia, alcançando cerca de 20 mil indígenas.
Apesar dos desafios logísticos enfrentados na região, ela destaca que isso não será obstáculo para a continuidade e expansão dos trabalhos. “Agora a gente sabe que tem os desafios também de estar nesse local, até mesmo a questão da logística mesmo, o difícil acesso a chegar em muitos locais. É um desses desafios muito grande, né? Chegar nas localidades, assim, uma certa dificuldade na logística, mas isso não vai ser impedimento para nós chegarmos lá. Porque a Funai, ela se desdobra. Com barcos, com carro, canoa, helicóptero. Nós trabalhamos com parcerias, então contamos com todos os parceiros federais, estaduais, todas as esferas municipais para que esse trabalho flua e que as ações aconteçam diretamente nos territórios”, afirmou.
Edna acredita que sua formação e experiência como professora irão contribuir diretamente na condução desse novo trabalho. “Eu acredito que sim. Eu tenho um bom diálogo com as comunidades. Eu sou uma pessoa muito organizada também, gosto de cumprir o que tem que ser cumprido. Assim, a gente precisa ter essa maleabilidade, essa flexibilidade e o equilíbrio entre todas as esferas pra que o trabalho aconteça com harmonia. É isso que eu gosto muito: do diálogo, da harmonia. Quando tiver que ser mais firme, a gente também vai ser, porque… Além de tudo, eu sou mãe, eu sou esposa, eu sou filha, mas eu sou um ser humano. Eu também tenho sentimentos, eu sofro, eu choro, eu fico muito alegre. Mas, pra mim, isso tudo engloba um ser humano. Então, eu vou tratar com pessoas. Eu preciso ter essa flexibilidade”, concluiu.
A nova gestão da Funai no Vale do Juruá inicia com o compromisso de ampliar o diálogo e fortalecer as ações diretamente nos territórios indígenas, respeitando as particularidades e as necessidades de cada comunidade.






