Redação Juruá Online
Um detento de 53 anos, recluso no presídio de Cruzeiro do Sul, no Acre, foi aprovado no curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre (UFAC) e comemora a conquista como um verdadeiro marco em sua vida. Cumprindo pena de 22 anos por homicídio, ele já está há cerca de três anos na unidade, com remição de pena estimada em quatro anos e meio graças à participação em atividades educativas e de trabalho.
Com gratidão, ele atribui sua aprovação a Deus, à equipe da unidade e ao próprio esforço. “Foi um sonho que lá atrás não pude realizar por causa da rotina de trabalho e família. Aqui, com acesso à leitura e incentivo da equipe, voltei a acreditar que era possível”, afirmou.
Apesar de ter concluído o ensino médio há quase 30 anos, o detento não deixou que o tempo fosse um obstáculo. Ele relata que estudou intensamente, aproveitando a biblioteca do presídio, livros do programa “Presídio Leitor” e simulados do Enem. A pontuação alcançada foi de 511 pontos, com redação avaliada em 520, cujo tema era sobre a periferia. “Pensei que tiraria 800, porque me identifiquei com o tema, mas vi que ainda preciso melhorar em caligrafia e pontuação. Mesmo assim, é uma vitória”, comentou emocionado.
A família, segundo ele, está em festa. “Estão todos muito felizes. Não só por eu ter sido aprovado, mas pela transformação que isso representa. É uma esperança para o que ainda está por vir”.
Segundo o diretor da unidade, Elvis Barros, além dele, outros dois reeducandos foram aprovados no Enem e também ingressarão no ensino superior. “Cruzeiro do Sul tem sido destaque no estado por oferecer oportunidades concretas de ressocialização por meio da educação. Já tivemos outros reeducandos que concluíram a faculdade enquanto cumpriam pena”, destacou.
O ingresso definitivo no curso, no entanto, depende da autorização do Poder Judiciário, que avalia critérios processuais e o perfil do reeducando. A coordenadora técnica da Divisão de Estabelecimentos Penais, Vanila Pinheiro, explica que tudo é feito com cuidado. “Antes mesmo da prova, avaliamos a segurança dos profissionais e dos internos. Após a aprovação, é solicitado ao juiz competente a liberação para o reeducando estudar fora da unidade ou em regime domiciliar”.
O trabalho educacional é resultado de uma série de parcerias, especialmente com a Secretaria de Educação e o programa “Presídios Leitores”, realizado em conjunto com a UFAC. “É um esforço coletivo. Já tivemos até 11 aprovados em um único ano. Nem todos conseguem autorização para sair, mas continuamos firmes na missão de transformar vidas”, concluiu Vanila.
A expectativa é de que, com o deferimento da Justiça, o novo universitário possa iniciar o curso em 2025. Para ele, será o início de um novo ciclo: “A educação transforma”.






