Venezuelanos deportados dos EUA desaparecem após hotel desabar em terremoto que matou mais de 1,7 mil pessoas

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Familiares de venezuelanos deportados dos Estados Unidos vivem dias de angústia após o desabamento de um hotel atingido pelos terremotos que devastaram a cidade de La Guaira, na Venezuela. Muitos dos passageiros de um voo de deportação que chegou ao país poucas horas antes da tragédia continuam desaparecidos.

Segundo autoridades venezuelanas e dados do monitoramento do ICE Flight Monitor, uma aeronave procedente de Miami desembarcou na manhã de quarta-feira com 146 deportados a bordo, entre eles 19 mulheres e sete crianças. Após a chegada ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, os passageiros foram encaminhados ao Hotel Santuario, em La Guaira, cidade costeira localizada ao norte de Caracas.

Horas depois, dois fortes terremotos atingiram a região em sequência, provocando destruição em larga escala. O balanço oficial aponta pelo menos 1.700 mortos, além de centenas de desaparecidos.

Parte dos deportados conseguiu sobreviver ao desabamento do hotel, mas muitos ainda estão desaparecidos sob os escombros. Equipes de resgate seguem trabalhando no local, embora as esperanças de encontrar sobreviventes diminuam com o passar dos dias.

Entre os familiares que aguardam notícias está Luis Armando Dasilva, que procura pela irmã Amanda Donizete desde a tragédia. Ela havia sido deportada dos Estados Unidos na quarta-feira e não fez mais contato com a família.

“Não nos dão respostas sobre onde ela está. Já procuramos em hospitais e necrotérios e não a encontramos”, relatou à CNN.

Amanda vivia no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, após deixar a Venezuela em meio à crise humanitária. Segundo o irmão, ela estava feliz por retornar ao país e reencontrar os familiares.

Outras famílias também enfrentam a mesma incerteza. José Gregorio Rincón Ávila, avô de um dos deportados, fez um apelo às autoridades para que os corpos sejam identificados e entregues aos parentes.

“Queremos nossos familiares de volta, independentemente das condições em que estejam, para que possamos enterrá-los”, disse.

Os Estados Unidos informaram que enviaram equipes de busca e resgate para auxiliar nos trabalhos e anunciaram mais de US$ 300 milhões em ajuda humanitária para as áreas afetadas.

A tragédia ocorre em meio ao aumento das deportações de venezuelanos. Após decisão da Suprema Corte dos EUA que permitiu o encerramento do programa de Proteção Temporária (TPS) para cerca de 300 mil migrantes venezuelanos, centenas de pessoas passaram a ser repatriadas semanalmente. Somente em maio, segundo o ICE Flight Monitor, 1.746 venezuelanos foram deportados.

Entre as vítimas está o jovem Anderson Salcedo, de 21 anos. Sua mãe, Yulis Salcedo, havia preparado uma recepção com balões nas cores da bandeira venezuelana para celebrar o retorno do filho. Horas antes do terremoto, ele telefonou avisando que chegaria em casa no dia seguinte.

Agora, Anderson luta pela vida em um hospital.

“Quero justiça. Não é justo que meu filho esteja naquela cama, com suporte respiratório e com as pernas amputadas aos 21 anos”, declarou a mãe.

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