O governo do Reino Unido indicou nesta terça-feira (30) que poderá intervir na proposta de fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery, negócio avaliado em cerca de US$ 110 bilhões. A medida pode representar um novo obstáculo para a conclusão da operação, prevista pelas empresas para ocorrer até o fim de setembro.
A ministra britânica da Cultura, Lisa Nandy, afirmou estar inclinada a abrir uma análise formal sobre a aquisição, citando preocupações relacionadas à diversidade de opiniões no setor de mídia e à concentração de controle sobre grandes veículos de comunicação.
Caso a intervenção seja confirmada, o órgão regulador britânico Ofcom será encarregado de avaliar os impactos da transação, além da investigação já conduzida pela Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA).
Segundo Nandy, a análise considera questões de interesse público, incluindo a garantia de uma pluralidade suficiente de vozes no noticiário e a diversidade de controladores de empresas de mídia.
A operação prevê que a Paramount assuma o controle de ativos da Warner Bros. Discovery, incluindo a CNN, HBO, os estúdios Warner Bros. e outras marcas do grupo.
Em nota, a Paramount afirmou que mantém diálogo com autoridades regulatórias e demonstrou confiança na aprovação do negócio.
“Estamos confiantes de que a transação proposta não apresenta problemas relacionados à pluralidade da mídia no Reino Unido e seguimos confiantes em nosso cronograma”, declarou a empresa.
A companhia espera concluir a fusão até o terceiro trimestre deste ano. Entretanto, qualquer atraso pode aumentar significativamente os custos da operação. Pelos termos do acordo, caso a aprovação final não seja obtida até o fim de setembro, será acrescentado um valor equivalente a 25 centavos de dólar por ação da Warner Bros. Discovery a cada trimestre de atraso, elevando o custo total em cerca de US$ 627 milhões por trimestre.
Além do Reino Unido, a operação também está sob análise de reguladores em outros países. Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça aprovou a fusão em junho sem exigir concessões das empresas, concluindo que o negócio não deverá prejudicar a concorrência nem os consumidores.
Apesar disso, procuradores-gerais de diversos estados americanos continuam examinando a operação e podem entrar na Justiça para tentar bloquear a fusão. Autoridades da Califórnia já afirmaram publicamente que identificaram sinais de alerta relacionados ao acordo.
Executivos da Paramount defendem que a união das empresas fortalecerá a capacidade de competir com grandes plataformas de tecnologia e streaming, em um mercado cada vez mais disputado por audiência, investimentos e conteúdo.






