O USS Nimitz (CVN-68), porta-aviões nuclear mais antigo ainda em operação no mundo, passou pela Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, durante aquela que pode ser sua última grande viagem antes da aposentadoria definitiva. Comissionado em 1975, o gigante da Marinha dos Estados Unidos soma mais de cinco décadas de atuação em operações militares e continua sendo símbolo da projeção de poder naval americana.
Com 333 metros de comprimento e capacidade para transportar entre 60 e 90 aeronaves, o navio participa atualmente da Operação Southern Seas 2026, conduzida pelo Comando Sul dos EUA.
Navio histórico participou de guerras e operações estratégicas
Ao longo de sua trajetória, o USS Nimitz esteve presente em alguns dos principais conflitos envolvendo os Estados Unidos nas últimas décadas. Entre as missões realizadas estão:
- tentativa de resgate de reféns americanos no Irã, em 1980;
- operações no Golfo Pérsico durante a guerra Irã-Iraque;
- Guerra do Golfo;
- campanhas militares no Afeganistão e Iraque após os ataques de 11 de setembro;
- missões contra o Estado Islâmico no Oriente Médio.
Durante visita da imprensa ao navio no Rio de Janeiro, integrantes da tripulação destacaram o orgulho de manter o porta-aviões em funcionamento após 51 anos de serviço.
“É muito gratificante ver um porta-aviões que está em serviço há 51 anos e ainda é capaz de operar e cumprir a missão para a qual fomos chamados”, afirmou o suboficial Benjamin Richards.
Aposentadoria foi adiada duas vezes
A retirada do USS Nimitz de operação estava prevista inicialmente para 2025, mas o cronograma foi alterado devido aos atrasos na construção do USS John F. Kennedy (CVN-79), navio que será seu substituto.
Problemas técnicos em sistemas considerados essenciais, como catapultas eletromagnéticas e elevadores de armas, impediram a entrada do novo porta-aviões em operação. Com isso, a Marinha dos EUA decidiu manter o Nimitz ativo até março de 2027.
EUA enfrentam pressão militar e industrial
A passagem do Nimitz pelo Brasil ocorre em um momento delicado para os Estados Unidos. Atualmente, três grupos de porta-aviões americanos estão posicionados no Oriente Médio em meio à escalada das tensões com o Irã no Estreito de Ormuz, região estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial.
Especialistas avaliam que os EUA enfrentam dificuldades crescentes para sustentar simultaneamente sua presença militar global. Além dos desafios operacionais, a indústria naval americana também sofre com atrasos na produção, falta de mão de obra especializada e dependência de poucos fornecedores.
Segundo analistas ouvidos pela reportagem original, a situação evidencia um cenário de “overstretch”, quando uma potência militar assume mais compromissos estratégicos do que consegue sustentar sem desgaste econômico e operacional.
China amplia pressão naval
Outro fator que preocupa Washington é o crescimento acelerado da capacidade naval chinesa. De acordo com especialistas, a China possui atualmente uma capacidade de construção naval muito superior à dos Estados Unidos, aumentando a pressão sobre a hegemonia militar americana nos mares.
Além disso, conflitos recentes no Oriente Médio mostraram que drones de baixo custo e ataques de saturação podem representar desafios significativos até mesmo para gigantes militares como os porta-aviões nucleares.
Mesmo assim, especialistas apontam que essas embarcações seguem estratégicas, embora com funções cada vez mais voltadas à coordenação de operações e sistemas militares integrados.
Após concluir a missão na América do Sul, o USS Nimitz seguirá para a Base Naval de Norfolk, na Virgínia, onde deverá passar pelo longo processo de desativação e desmontagem.






