O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a citar pedidos feitos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a extradição de brasileiros investigados por crimes financeiros e ligados ao crime organizado. A declaração ganhou repercussão nesta sexta-feira (15), após a Polícia Federal deflagrar a operação Sem Refino, que teve como um dos principais alvos o empresário Ricardo Magro, dono da Refit.
Durante os desdobramentos da operação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão do nome de Ricardo Magro na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localização e prisão de foragidos.
Lula citou empresário em fala sobre combate ao crime
Em entrevista concedida à TV Record Bahia, em abril, Lula afirmou que comentou com Trump sobre a presença de brasileiros investigados vivendo nos Estados Unidos, especialmente em Miami, na Flórida.
“Mas o que nós queremos, na verdade, é chegar no andar de cima da corrupção. O que nós queremos é chegar nos magnatas da corrupção que não moram na favela, que moram nos prédios mais chiques”, declarou o presidente na ocasião.
Na sequência, Lula mencionou diretamente Ricardo Magro.
“Eu disse para o Trump: se você quiser combater o crime organizado de verdade, o Brasil está disposto a jogar todo o peso que a gente puder jogar para combater. E você poderia começar me entregando os brasileiros que estão aí”, afirmou.
“Tenho o endereço da casa e tenho o nome das pessoas brasileiras que têm praticado crime e que estão foragidas nos Estados Unidos. E eu estou aguardando sobretudo o dono da Refit, que é o principal deles”, completou.
Operação investiga lavagem de dinheiro e evasão de divisas
A operação Sem Refino investiga um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de utilizar estruturas empresariais para ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e envio irregular de recursos ao exterior.
A ação teve como um dos alvos o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), além de empresários e agentes públicos.
Ao todo, foram cumpridos:
- 17 mandados de busca e apreensão;
- sete medidas de afastamento de função pública;
- ações nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
Segundo as investigações, haveria suspeita de atuação de agentes públicos para favorecer a continuidade das operações da Refit, mesmo diante de dívidas bilionárias em impostos.
Refit é apontada como grande devedora fiscal
A Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, é apontada pela Receita Federal como a maior devedora contumaz de tributos do país.
Com a inclusão de Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol, ele passa a ser considerado oficialmente foragido internacional. Atualmente, o empresário reside em Miami, nos Estados Unidos.
Durante evento realizado nesta semana sobre combate ao crime organizado, Lula voltou a defender cooperação internacional para enfrentar lavagem de dinheiro, tráfico de armas e organizações criminosas transnacionais.
“Essas coisas é importante dizer porque senão eles passam a ideia de que a desgraça toda tá do lado de cá e que eles não têm nada a ver com isso”, afirmou o presidente.






