Cerca de uma semana após afastar cautelarmente um professor denunciado por importunação sexual por uma estudante, a Universidade Federal do Acre (Ufac) lançou uma campanha de prevenção e combate ao assédio. A iniciativa foi apresentada nesta quarta-feira (30) por meio das redes sociais da instituição e orienta a comunidade acadêmica sobre prevenção, denúncia e acolhimento.
Batizada de “Campanha de Prevenção e Combate ao Assédio na Ufac”, a ação tem como objetivo fortalecer uma cultura de respeito, segurança e responsabilidade nos espaços da universidade.
Em vídeo divulgado pela instituição, o reitor Josimar Batista Ferreira afirmou que a convivência no ambiente acadêmico deve ser pautada pela empatia, escuta e consentimento, destacando a importância de não silenciar diante de situações de assédio.
“Exige responsabilidade de todos nós identificar, não tolerar e não se calar diante de qualquer violação. Prevenir e combater o assédio exige atenção constante aos nossos comportamentos e atitudes no cotidiano da universidade. Construir um espaço seguro e acolhedor é um compromisso permanente de nossa instituição”, afirmou.
A universidade também orientou estudantes e servidores que desejem registrar denúncias ou buscar acolhimento sigiloso a procurarem a Ouvidoria da instituição por meio da plataforma Fala.BR.
A campanha foi lançada dias após ganhar repercussão o caso envolvendo o professor Eduardo Mitke Brandão Reis, do curso de Medicina Veterinária. O docente foi afastado cautelarmente das atividades acadêmicas por 60 dias, conforme determinação assinada pelo reitor Josimar Batista Ferreira e publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (25).
Segundo a Ufac, o afastamento ocorre sem prejuízo da remuneração e possui caráter cautelar, não representando conclusão sobre os fatos denunciados.
A estudante Isabele da Costa Barbosa, de 27 anos, afirma ter sido alvo de investidas recorrentes do professor ao longo de mais de três anos. Ela relata que a situação teria causado impactos em sua vida acadêmica e pessoal.
De acordo com a estudante, a denúncia por importunação sexual foi formalizada em 29 de maio na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher Vítima de Violência, em Rio Branco. No dia 24 de setembro, ela tornou o caso público nas redes sociais, divulgando relatos e mensagens que atribui ao docente.
Após o afastamento do professor, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufac divulgou nota manifestando apoio à estudante e cobrando providências da universidade. A entidade afirmou que a aluna já teria acumulado prejuízos acadêmicos e pessoais ao longo do período relatado e questionou os critérios adotados pela instituição em procedimentos disciplinares envolvendo estudantes e professores.
O caso segue sendo acompanhado pela universidade e pelas autoridades responsáveis.





