
Redação Juruá Online
Teve início nesta terça-feira (10) no Centro Cultural de Cruzeiro do Sul um importante seminário de formação de lideranças promovido pela Associação de Mulheres Negras do Acre (AMNAC). O evento reúne mulheres de sete municípios do Vale do Juruá, com o objetivo de fortalecer o movimento feminino negro e debater questões como racismo estrutural, violência contra a mulher e o acesso aos direitos garantidos pela Constituição.
Merinda Cunha, representante da Associação de Mulheres Negras do Acre, destacou que a formação é um espaço essencial para estudo e discussão de temas como a Lei Maria da Penha, o Estatuto da Igualdade Racial e o marco regulatório de raça e gênero. “Nós estamos aqui para mostrar a importância dos órgãos como Defensoria Pública, Ministério Público e Tribunal de Justiça, entender suas finalidades e de que forma podem contribuir na garantia dos nossos direitos. É fundamental educar a sociedade para combater o racismo e todas as formas de violência”, reforçou.
O seminário faz parte de um projeto estadual que prevê encontros regionais, passando ainda pelas cidades de Brasiléia, Sena Madureira e Rio Branco. Nesta edição no Juruá, participaram lideranças de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Feijó e Tarauacá. O município de Jordão foi o único ausente, devido a dificuldades de deslocamento.

Rosalina Souza, coordenadora do Ponto de Cultura e da Articulação Juruáense de Mulheres, destacou a importância do evento para o fortalecimento das lideranças negras locais. “Essa formação vai fortalecer nossa luta contra o racismo, os preconceitos e a violência, além de discutir o feminicídio e a importância de unir as redes de proteção. Precisamos de um grupo forte, preparado, e encontros como esse são fundamentais para isso”, afirmou.
A Defensoria Pública Estadual também participou da programação. A defensora pública Cláudia Aguirre ressaltou o papel da instituição na promoção de direitos e no diálogo com os movimentos sociais. “É essencial que lideranças conheçam as estratégias disponíveis tanto nas políticas públicas quanto no sistema de justiça. A discriminação racial é estrutural em nosso país e só conseguimos avançar quando atingimos esses dois âmbitos”, destacou.
Cláudia lembrou ainda que a desigualdade racial não se manifesta apenas em atitudes explícitas, mas também nas estatísticas sociais. “Se analisarmos quem mais sofre com a falta de acesso à saúde, à educação e à segurança, veremos que são, em grande parte, mulheres negras. Por isso, encontros como esse ajudam a refletir e a traçar estratégias para mudar essa realidade”, completou.
O seminário segue até esta quarta-feira (11) e faz parte de uma iniciativa maior de formação de lideranças e fortalecimento do controle social em diversas regiões do estado.






