O governo do Reino Unido deve publicar nesta terça-feira, 30, o aguardado Plano de Investimento em Defesa (DIP), documento que definirá os gastos militares britânicos para a próxima década. O plano chega com cerca de nove meses de atraso e prevê investimentos de £ 5 bilhões em drones e sistemas autônomos de combate.
Segundo o Ministério da Defesa britânico, o objetivo é modernizar as Forças Armadas diante das mudanças nos conflitos contemporâneos, marcados pelo uso crescente de tecnologias não tripuladas em guerras e operações militares.
O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que o plano ajudará a manter o Reino Unido “seguro e protegido por muito tempo”, destacando investimentos considerados estratégicos para as capacidades militares terrestres, navais e aéreas do país.
O pacote foi alvo de intensas negociações entre o Ministério da Defesa, o Tesouro britânico e o gabinete do governo. Neste mês, foi aprovado um aumento de £ 13,5 bilhões no orçamento da defesa, valor considerado insuficiente por parte da cúpula militar, que defendia uma ampliação de até £ 28 bilhões.
A disputa provocou a saída de integrantes do governo. O ex-secretário de Defesa, John Healey, renunciou ao cargo alegando que os recursos aprovados estavam muito abaixo do necessário para cumprir os compromissos de defesa do país. O então ministro das Forças Armadas, Al Carns, também deixou o governo por considerar o plano pouco ambicioso diante da rápida evolução dos cenários de guerra.
O atual secretário de Defesa, Dan Jarvis, conseguiu ampliar parte dos recursos e promoveu ajustes no documento para incorporar lições observadas em conflitos recentes, especialmente na Ucrânia e no Oriente Médio.
De acordo com o Ministério da Defesa, a estratégia prevê maior utilização de drones, sistemas autônomos e tecnologias avançadas capazes de atingir alvos de alto valor estratégico. O governo também anunciou que pretende abandonar projetos de substituição de navios de guerra mais antigos para investir na construção de pelo menos seis embarcações modernas híbridas, preparadas para operar drones.
A divulgação do plano ocorre poucos dias antes da cúpula de líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), marcada para 7 de julho, na Turquia. A expectativa é que o documento apresente detalhes sobre como serão financiados novos equipamentos militares e projetos de infraestrutura de defesa ao longo dos próximos dez anos.
A oposição criticou o plano. O Partido Conservador classificou a iniciativa como “pouco e tardia”, enquanto os Liberal-Democratas afirmaram que os investimentos ainda deixam as Forças Armadas britânicas sem os recursos necessários para enfrentar os desafios futuros.






