Reforma econômica de Cuba busca abertura ao mercado e tem inspiração em modelos da China e do Vietnã, avalia historiador

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O Parlamento de Cuba aprovou um amplo pacote de reformas econômicas que prevê mudanças em 23 áreas e reúne 176 propostas voltadas à modernização da economia da ilha. Considerada a maior reformulação econômica desde a Revolução Cubana de 1959, a iniciativa busca ampliar a participação do setor privado, atrair investimentos e aumentar a autonomia das empresas estatais.

Segundo o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, as mudanças não representam o abandono do socialismo, mas uma estratégia para garantir sua continuidade diante dos desafios econômicos enfrentados pelo país.

Em entrevista ao portal Metrópoles, o historiador Fabio Venturini, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirmou que a reforma apresenta semelhanças com os modelos adotados por China e Vietnã. De acordo com ele, o objetivo é reduzir o grau de centralização econômica, mantendo o controle político do Estado, mas ampliando mecanismos de mercado e a participação da iniciativa privada.

Entre as principais medidas aprovadas estão a descentralização da gestão econômica para os municípios, maior autonomia para empresas estatais, incentivo a investimentos privados, abertura parcial do sistema financeiro, mudanças no setor agrícola e redução da estrutura administrativa do Estado.

As empresas estatais passarão a ter mais liberdade para definir salários, utilizar lucros, escolher fornecedores e clientes, além da possibilidade de se transformarem em sociedades comerciais com participação de mercado. Já os empreendedores privados poderão administrar mais de uma empresa e contratar mais de 100 funcionários.

O pacote também prevê a entrada de bancos privados ou corporativos e a criação de um mercado digital de câmbio supervisionado pelo governo.

Segundo o historiador, a reforma ocorre em um momento de forte pressão econômica sobre Cuba. Entre os fatores citados estão as sanções impostas pelos Estados Unidos e a redução do fornecimento de petróleo venezuelano, considerado historicamente um dos principais apoios econômicos da ilha.

Apesar das semelhanças com os modelos chinês e vietnamita, Venturini avalia que Cuba enfrenta desafios distintos, como sua localização geográfica, a proximidade com os Estados Unidos e as limitações econômicas decorrentes das restrições comerciais e financeiras internacionais.

A expectativa do governo cubano é que as mudanças ajudem a estimular a produção, atrair investimentos e gerar crescimento econômico sem alterar a estrutura política socialista do país.

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