O governo do Reino Unido pretende exigir que pessoas que obtiverem asilo no país reembolsem parte dos custos de acomodação e assistência recebidos durante o processo de solicitação. A medida faz parte do novo Projeto de Lei de Imigração e Asilo, que ainda será analisado pelo Parlamento britânico.
Pela proposta, refugiados que passarem a trabalhar e atingirem uma renda mínima determinada pelo governo terão que devolver um valor fixo estimado em cerca de £10 mil. O pagamento deverá ser feito em parcelas e será uma condição para que o beneficiário possa solicitar residência permanente no país.
O projeto também prevê que pessoas que tiverem o pedido de asilo negado e deixarem o Reino Unido precisarão quitar eventuais débitos antes de tentar retornar legalmente ao território britânico.
Segundo o governo, a iniciativa busca reduzir os gastos públicos com o sistema de acolhimento. Dados do Ministério do Interior apontam que aproximadamente £4 bilhões foram gastos com apoio a solicitantes de asilo no último ano.
A secretária responsável pela área, Shabana Mahmood, afirmou que o objetivo é equilibrar direitos e responsabilidades. “O apoio ao asilo é um direito, mas também envolve responsabilidades. Quando as pessoas puderem contribuir e retribuir a generosidade do povo britânico, esperamos que o façam”, declarou.
A proposta, no entanto, enfrenta críticas de entidades que atuam na defesa dos refugiados. O Conselho para Refugiados classificou o plano como “injusto e impraticável”, argumentando que a medida funcionaria como uma espécie de imposto adicional sobre pessoas que já chegam ao país em situação de vulnerabilidade.
Especialistas também questionam o potencial de arrecadação da iniciativa. Estudos do Migration Observatory, da Universidade de Oxford, indicam que uma parcela relativamente pequena dos refugiados alcança níveis salariais elevados após receber proteção internacional.
Dados oficiais mostram que 24% dos refugiados em idade ativa estavam empregados no primeiro ano após a concessão do asilo. Dois anos depois, esse percentual sobe para cerca de 48%. Entre aqueles que estavam empregados oito anos após obter o status de refugiado, o rendimento mediano era de aproximadamente £23 mil por ano.
Além da cobrança, o projeto de lei prevê novas medidas para endurecer o sistema de imigração e reduzir a migração irregular. Entre elas estão a ampliação do uso de antigos quartéis militares para abrigar solicitantes de asilo e a criação de rotas legais e limitadas para a entrada de refugiados, com apoio de universidades, empresas e grupos comunitários.






