Papa pede perdão por postura histórica da Igreja sobre escravidão e alerta para riscos da inteligência artificial

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O papa Leão XIV divulgou nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica, intitulada Magnifica Humanitas (“Magnífica Humanidade”), documento em que faz alertas sobre os impactos da inteligência artificial, critica o avanço desenfreado da tecnologia e pede maior controle internacional sobre sistemas de IA.

Durante o lançamento no Vaticano, o pontífice também reconheceu que a Igreja Católica demorou a condenar de forma firme a escravidão transatlântica e fez um pedido público de desculpas.

“Isso constitui uma ferida na memória cristã. Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, declarou.

A encíclica, considerada uma das formas mais importantes de ensinamento papal, traz críticas à desinformação, ao uso militar da inteligência artificial e ao aumento das guerras no mundo. O texto possui cerca de 43 mil palavras e vinha sendo preparado desde o início do pontificado de Leão XIV.

Papa cobra limites para inteligência artificial

No documento, o líder da Igreja Católica defende uma atuação mais firme dos governos para reduzir a velocidade do avanço tecnológico e impedir que decisões importantes sejam deixadas exclusivamente nas mãos de empresas privadas.

Entre os pontos destacados pelo papa estão:

  • proteção aos trabalhadores afetados pela automação;
  • segurança de crianças e adolescentes diante da tecnologia;
  • restrições éticas rigorosas ao uso militar da IA;
  • regulamentação internacional sobre dados e sistemas inteligentes.

Leão XIV classificou como “inadmissível” permitir que sistemas de inteligência artificial tomem decisões letais em cenários de guerra.

“O que é necessário é um envolvimento político mais ativo, capaz de desacelerar as coisas quando tudo está se acelerando”, escreveu.

“Novas formas de escravidão”

O pontífice também denunciou o que chamou de “novas formas de escravidão” ligadas à cadeia produtiva da tecnologia, citando trabalhadores explorados em fábricas e na extração de minerais usados em equipamentos eletrônicos.

Segundo o papa, há crianças e adolescentes submetidos a condições perigosas para garantir o fornecimento de materiais essenciais à indústria tecnológica.

“Os corpos dessas pessoas estão marcados, feridos e desgastados para que o fluxo computacional possa continuar ininterruptamente”, afirmou.

Críticas às guerras e à indústria armamentista

Além da inteligência artificial, o documento faz duras críticas aos conflitos armados ao redor do mundo e ao fortalecimento da indústria bélica.

O papa afirmou que a humanidade vive uma “cultura violenta de poder” e declarou que a tradicional teoria da “guerra justa” está ultrapassada.

“A teoria da guerra justa, que muitas vezes tem sido usada para justificar qualquer tipo de guerra, está agora ultrapassada”, escreveu.

Leão XIV também alertou para o risco de governos utilizarem conflitos externos como forma de desviar a atenção de crises internas.

O texto ainda lamenta o enfraquecimento de organizações multilaterais e aponta que interesses econômicos ligados ao setor armamentista contribuem para a manutenção das guerras.

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