Moradores do Ramal do Escondido seguem acampados em frente à prefeitura de Cruzeiro do Sul após mais de 24 horas de manifestação

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Redação Juruá Online

No segundo dia consecutivo de manifestação, moradores do Ramal do Escondido, em Cruzeiro do Sul, continuam acampados em frente à sede da Prefeitura Municipal em protesto contra o abandono do ramal e o não cumprimento de promessas por parte do poder público. Redes armadas, crianças, idosos e famílias inteiras passaram a noite no local, determinadas a permanecer ali até receberem uma resposta concreta.

“Já estamos aqui há mais de 24 horas. Dormimos em redes, no chão, onde foi possível. Não sairemos sem uma solução”, afirmou a moradora Maria Cláudia, que relata estar no local desde o início da manifestação. Segundo ela, o grupo enfrenta situações constrangedoras, como a interrupção do fornecimento de água e o bloqueio ao acesso aos banheiros da prefeitura. “Estávamos nos manifestando de forma pacífica. Quando vimos, cortaram a água e fecharam os portões. Só liberaram depois que gravei um vídeo e disse que ia denunciar”, contou.

A situação se agravou ainda mais quando viaturas da polícia foram acionadas. “Três viaturas vieram aqui com ordem de nos retirar à força. Disseram que foi por ordem de alguém da prefeitura. Mas estamos aqui pacificamente, lutando pelo nosso direito”, denunciou Cláudia.

A insatisfação dos moradores se arrasta desde o ano passado, quando, segundo eles, a verba para melhorias no ramal já havia sido liberada. “Estamos cansados de promessas. Nosso ramal está abandonado. Tem produtor rural que não consegue escoar a produção, gente que não sai de casa porque o acesso está intransitável”, desabafou.

Na manhã desta quinta-feira (31), representantes do movimento foram recebidos pelo responsável do Deracre no Juruá, mas a reunião terminou sem acordo. O morador José Pedro, que vive há um ano e meio no ramal, participou do encontro. “Queríamos que ele se comprometesse com um prazo e assinasse um documento garantindo o início das obras. Mas ele disse que não podia assinar nada, que talvez em 10, 15 ou até 20 dias teria uma resposta. Isso é inaceitável”, afirmou.

José Pedro reforça que a permanência do grupo em frente à prefeitura está mantida. “A gente saiu de casa para lutar pelos nossos direitos. Não tem como voltar de mãos vazias. Vamos nos reunir e decidir os próximos passos, mas sair daqui sem uma resposta oficial e sem um compromisso firmado, não está nos nossos planos.”

Os manifestantes pedem, ainda, a intervenção do Ministério Público para apurar possíveis irregularidades e cobrar do poder público providências efetivas. Segundo eles, o prefeito Zequinha Lima já havia anunciado publicamente que o Ramal do Escondido seria o primeiro a receber obras quando o verão começasse, devido à liberação da verba. No entanto, apenas uma raspagem superficial foi feita, e o trânsito piorou com a destruição de pontes durante a passagem de maquinários pesados.

Com o inverno amazônico se aproximando novamente, os moradores dizem que não podem mais esperar. “Chega de promessa. A luta é por dignidade, por acesso, por respeito. E essa luta vai continuar até que sejamos ouvidos”, finaliza José Pedro.

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul e o Deracre ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.

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