Grupo invade área no bairro do Remanso e reinvidica construção de moradia popular em Cruzeiro do Sul

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Redação Juruá Online

Um grupo de moradores organizados pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) ocupou, desde o último domingo (1º), uma área pública conhecida como “antigos transmissores”, na região do bairro Remanso. A mobilização busca chamar atenção para a ausência de políticas habitacionais no município e a dificuldade enfrentada por dezenas de famílias em situação de vulnerabilidade.

De acordo com José Maria, representante do MNLM, a ocupação foi motivada pelo abandono da área e pela falta de investimentos em moradias populares em Cruzeiro do Sul. “Estamos com o movimento aqui há oito anos e o município não tem um programa habitacional há cerca de 20 anos. Também não temos nenhum projeto estadual em andamento”, afirmou.

A ocupação se baseia em um decreto federal que permite a destinação de imóveis públicos abandonados para fins de habitação social. “A gente vê essa área há muito tempo parada, então, baseado no decreto do presidente Lula, estamos aqui demarcando para quem precisa”, explicou o coordenador.

Além da área federal, o movimento também ocupou um terreno municipal. Segundo José Maria, no ano passado, o prefeito Zequinha Lima anunciou a construção de 100 casas, mas, até o momento, as obras não foram liberadas pela Caixa Econômica Federal, responsável pelo financiamento. “A gente procurou o prefeito, pediu ao menos o terreno, só isso. As pessoas esperam há muito tempo por uma casa digna e nada acontece”, desabafou.

Entre os ocupantes está Maria de Jesus, mãe de duas crianças com deficiência. Ela conta que vive de favor na casa de conhecidos e vê na ocupação a única alternativa para conquistar um lar. “É muito complicado estar na casa dos outros, sem saber quando vão pedir pra gente sair. Por isso estou aqui, pra tentar garantir um canto pros meus filhos”, relatou.

Na mesma situação está Alzira Silva, que há anos mora de aluguel e não consegue mais arcar com as despesas. “Minhas condições estão cada vez piores. Tenho um filho especial e preciso muito de um lugar pra morar. A única saída que vi foi vir pra cá tentar um terreno”, disse.

A Polícia Militar esteve no local e orientou os ocupantes sobre as possíveis implicações legais da ocupação de áreas pertencentes à União e ao município. Ainda assim, o MNLM informou que seguirá com a demarcação de lotes para as famílias carentes enquanto aguarda um posicionamento oficial das autoridades.

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