O furacão Lala atingiu partes do Havaí com ventos fortes e chuva intensa neste fim de semana, provocando alagamentos, danos em imóveis, quedas de árvores e cortes generalizados no fornecimento de energia. Embora a previsão indique que o centro da tempestade não deve tocar o solo, os impactos já são registrados em diferentes áreas do arquipélago.
Uma pessoa morreu em um acidente de carro relacionado às condições provocadas pela tempestade, segundo o governador do Havaí, Josh Green. Pelo menos 19 edifícios tiveram os telhados arrancados, enquanto mais de 60 mil clientes ficaram sem energia.
Por volta das 17h de sábado (15), no horário local, o centro do furacão passou a aproximadamente 48 quilômetros da Grande Ilha. Os ventos chegaram a 129 km/h, de acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC).
Chuva provoca alagamentos e deslizamentos
Vídeos registrados na Grande Ilha mostram ruas tomadas pela água após a chuva intensa. O prefeito do condado do Havaí, Kimo Alameda, informou que foram registradas interrupções recordes de estradas e cortes prolongados de energia.
Com as condições meteorológicas se agravando, equipes responsáveis pela manutenção das estradas e da rede elétrica foram orientadas a interromper temporariamente os trabalhos por questões de segurança.
As regiões do sul da Grande Ilha devem concentrar os impactos mais fortes dos ventos, por estarem mais expostas ao núcleo interno do furacão.
À medida que Lala avança para o noroeste, a chuva passa a representar uma das principais ameaças. O NHC alerta para o risco de inundações repentinas e deslizamentos de terra potencialmente fatais, principalmente em áreas de terreno íngreme.
A previsão indica acumulados superiores a 30 centímetros de chuva em grande parte da Grande Ilha, com volumes isolados que podem ultrapassar 60 centímetros. Em Keanakolu, mais de 30 centímetros já haviam sido registrados nas 24 horas anteriores.
Também são esperados acumulados de até 30 centímetros em algumas áreas de Maui, onde estão em vigor alertas de tempestade tropical. O alerta também abrange Lanai, Molokai, Oahu, Kauai e Kahoolawe.
Ondas podem superar três metros
Além da chuva e dos ventos, o furacão também provoca condições perigosas no mar. As ondas podem superar 3 metros, especialmente nas áreas da costa voltadas para o leste.
As autoridades alertam para o risco de correntes de retorno, erosão das praias e inundações costeiras.
O Lala também pode provocar uma elevação de aproximadamente 30 centímetros a 90 centímetros no nível do mar em áreas normalmente secas ao longo de trechos da costa da Grande Ilha.
Os ventos fortes podem derrubar árvores e linhas de energia, risco agravado pelo solo encharcado. O relevo montanhoso da região também pode alterar a circulação da tempestade e provocar mudanças na trajetória do sistema.
Havaí se prepara para impactos
Moradores de diferentes ilhas buscaram abrigos e correram aos supermercados para estocar alimentos, água e outros itens essenciais.
Em Hilo, supermercados e postos de combustíveis registraram grande movimento. O condado do Havaí também disponibilizou sacos de areia para a população, enquanto dezenas de pessoas procuraram abrigos.
Muitas estradas foram interditadas devido à queda de árvores, linhas de energia e deslizamentos de terra. As autoridades orientaram moradores e visitantes a evitar deslocamentos desnecessários e permanecer em locais seguros.
Em Oahu, foram disponibilizadas oito áreas de abrigo para furacões, enquanto instalações públicas, incluindo o Zoológico de Honolulu, foram fechadas.
Em Maui, instalações do governo foram fechadas, eventos foram cancelados e equipes de emergência foram mobilizadas para responder aos possíveis impactos.
Autoridades de Kauai também alertaram para possíveis interrupções no fornecimento de energia e danos à infraestrutura de abastecimento de água.
Furacões são raros no Havaí
A chegada de furacões ao território do Havaí é relativamente rara. O último sistema tropical a tocar o solo foi a tempestade tropical Olivia, em 2018, que atingiu Maui.
O último furacão a atingir diretamente as ilhas foi o Iniki, em 1992. De categoria 4, o sistema atingiu Kauai e é considerado o furacão mais forte a tocar diretamente o estado nos registros modernos.
Caso o Lala atinja a Grande Ilha, será o primeiro furacão registrado a tocar o solo nessa região.
Águas mais quentes favorecem a tempestade
Normalmente, sistemas tropicais que se aproximam do Havaí encontram águas oceânicas mais frias, o que pode reduzir sua intensidade.
No entanto, o Lala permanece sobre águas mais quentes devido a uma onda de calor marinha que se estende até a Califórnia e às condições associadas ao Super El Niño em desenvolvimento.
O fenômeno contribui para aumentar o potencial de formação e intensificação de tempestades no Pacífico central. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê uma temporada acima da média na região, com expectativa de cinco a 13 ciclones.





