A realização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, prevista para ocorrer entre 11 e 19 de setembro, está ameaçada devido ao atraso no repasse de recursos pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Segundo a organização, a primeira parcela do financiamento, prevista para maio deste ano, ainda não foi liberada, comprometendo a preparação do evento.
De acordo com uma das organizadoras, que preferiu não se identificar, o festival faz parte de um planejamento trienal firmado em 2024 entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) e o Instituto Alvorada Brasil. O acordo prevê a realização de três edições consecutivas, sendo a de 2026 a última contemplada pelo contrato.
O orçamento anual do festival é de R$ 3 milhões, dos quais R$ 1,5 milhão deveria ter sido repassado na primeira parcela. Sem os recursos, cerca de 40 profissionais seguem trabalhando há quase três meses sem receber salários, enquanto mais de uma centena de colaboradores e fornecedores ainda precisam ser contratados.
A organização alerta que, caso o repasse não seja efetuado imediatamente, não haverá tempo hábil para concluir a estrutura necessária para a realização do festival. Além disso, aproximadamente 80 filmes nacionais previstos na programação ainda aguardam confirmação.
Segundo os responsáveis pelo evento, esta é uma situação inédita para o festival, que manteve suas edições mesmo durante a ditadura militar e a pandemia de Covid-19.
Governo diz acompanhar a situação
Em nota, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou que acompanha o caso e mantém diálogo com a organização do festival e com os demais órgãos do Governo do Distrito Federal para avaliar as condições orçamentárias e financeiras necessárias à realização do evento.
A pasta acrescentou que os procedimentos para viabilizar a liberação dos recursos seguem em análise e tramitação, mas não informou uma data para o pagamento.
Situação do Cine Brasília
A Secec também descartou a possibilidade de fechamento do Cine Brasília, que recentemente enfrentou dificuldades financeiras devido ao atraso em outro repasse previsto para sua gestão.
Segundo a secretaria, um pedido de liberação dos recursos já foi encaminhado à Secretaria de Economia do Distrito Federal. Enquanto o pagamento não é efetivado, a organização responsável pela administração do espaço recebeu autorização excepcional para utilizar recursos provenientes da bilheteria, com posterior recomposição dos valores pelo governo.
Desde maio de 2024, a gestão compartilhada do Cine Brasília é realizada pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Box Cultural, por meio de contrato com duração de três anos. O acordo prevê o repasse de seis parcelas de R$ 1 milhão até novembro de 2026. A quinta parcela, prevista para maio deste ano, ainda não foi paga.





