Ashaninkas denunciam avanço ilegal sobre território indígena e ameaças na fronteira do Acre

Lideranças do povo Ashaninka denunciaram a entrada de homens armados e encapuzados na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre. Segundo os relatos, os suspeitos teriam ligação com atividades criminosas como narcotráfico, garimpo ilegal e exploração clandestina de madeira na região de fronteira entre Brasil e Peru.

De acordo com moradores, cerca de quatro homens que falavam espanhol invadiram a aldeia no início de julho e passaram a circular pelas comunidades. As lideranças afirmam que os invasores procuravam por representantes indígenas e provocaram um clima de medo e insegurança entre os moradores.

Diante das denúncias, representantes Ashaninka levaram os relatos à Polícia Federal e entregaram um dossiê ao governo federal, em Brasília, pedindo providências para garantir a segurança da comunidade e a proteção do território.

O Ministério dos Povos Indígenas informou que adotou medidas emergenciais, incluindo ações de segurança na região, solicitação de abertura de investigação pela Polícia Federal e articulação com outros órgãos federais para acompanhar o caso.

As lideranças afirmam que a situação ocorre em um cenário de crescente pressão sobre os territórios indígenas na faixa de fronteira, onde rios da Amazônia são utilizados como rotas para atividades ilegais. Segundo os indígenas, organizações criminosas têm ampliado sua atuação envolvendo tráfico de drogas, mineração ilegal e retirada clandestina de madeira.

A Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública do Acre informou que as denúncias foram recebidas, que os suspeitos já foram identificados e que equipes realizam patrulhamento na região. A pasta também afirmou que mantém diálogo com autoridades peruanas para auxiliar nas investigações.

Em Brasília, órgãos do governo federal definiram medidas como a criação de uma mesa permanente de acompanhamento das denúncias, encaminhamento do dossiê a diferentes ministérios e reforço da proteção a lideranças indígenas ameaçadas.

Os Ashaninka reforçam que a defesa do território e da segurança das comunidades depende da atuação contínua das instituições públicas e do monitoramento da região de fronteira.

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