O Irã deve se tornar em breve membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira criada pelos países que formaram o Brics. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pelo presidente do Banco Central iraniano, Abdolnaser Hemmati.
A entrada no banco ocorre em um momento em que o Irã enfrenta amplas sanções impostas pelos Estados Unidos e restrições ao acesso ao sistema financeiro internacional. Com a adesão, Teerã busca ampliar suas alternativas de financiamento e reduzir a dependência de mecanismos financeiros dominados pelo dólar.
O NDB foi criado pelos cinco países que integravam originalmente o Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O acordo de criação foi assinado em 2014, durante a cúpula do grupo realizada em Fortaleza, no Ceará, e o banco começou oficialmente a funcionar em 2015.
Com sede em Xangai, na China, o NDB tem como principal finalidade financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes e países em desenvolvimento. Os recursos podem ser destinados a áreas como transporte, energia, saneamento e outros projetos de desenvolvimento.
A instituição é presidida atualmente pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff.
Irã busca alternativas ao sistema financeiro internacional
O Irã ingressou oficialmente no Brics em 2024, durante a expansão do grupo, e desde então vinha manifestando interesse em também participar do NDB como membro e acionista.
A adesão pode ampliar os canais de financiamento disponíveis para o país, que enfrenta dificuldades para acessar instituições e mercados financeiros internacionais devido às sanções norte-americanas.
O interesse iraniano também está relacionado às discussões dentro do Brics sobre o aumento do uso de moedas nacionais nas transações comerciais e financeiras entre os integrantes. A iniciativa busca diminuir a dependência do dólar nas relações econômicas entre os países do bloco.
Entrada acontece em meio a divergências no Brics
A aproximação do Irã com o NDB ocorre em um período de divergências internas no Brics, que ganhou novos integrantes nos últimos anos e passou a reunir um grupo mais amplo de economias emergentes.
A expansão aumentou a representatividade do bloco, mas também tornou mais difícil alcançar consenso sobre questões geopolíticas e conflitos internacionais.
Em março deste ano, por exemplo, a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel expôs diferenças entre os integrantes. Brasil, Rússia e China condenaram a ofensiva contra o Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotaram posições mais críticas às retaliações iranianas contra países do Golfo.
Diante da falta de consenso, o Brics não conseguiu divulgar uma declaração conjunta sobre o conflito.
O cenário foi diferente em 2025, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã. Naquele período, quando o Brasil exercia a presidência rotativa do Brics, os dez países divulgaram uma declaração conjunta condenando os ataques e defendendo a busca pelo diálogo.
Reunião ocorre na Índia
Hemmati participa nesta semana de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do Brics, realizada na Índia.
O país asiático exerce, em 2026, a presidência rotativa do bloco.
A entrada do Irã no NDB representa mais um passo na aproximação financeira do país com as instituições ligadas ao Brics e amplia o papel do banco como alternativa às fontes tradicionais de financiamento internacional.





