Três grandes terremotos atingiram Colômbia, Japão e Venezuela nas últimas semanas e deixaram um rastro de mortes e destruição. Embora os tremores tenham apresentado magnitudes semelhantes, os impactos foram muito diferentes entre os países.
A profundidade, a localização dos epicentros, as características das áreas atingidas e, principalmente, o nível de preparação da infraestrutura para terremotos ajudaram a determinar a dimensão dos danos.
A Colômbia foi atingida na segunda-feira (10) por um terremoto de magnitude 7,4. Antes disso, o sul do Japão havia registrado um tremor de magnitude 7,1, enquanto a Venezuela enfrentou dois terremotos em sequência, de magnitudes 7,2 e 7,5.
Magnitude
- Colômbia: magnitude 7,4, em um único tremor;
- Japão: magnitude 7,1;
- Venezuela: dois tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, sendo o segundo o mais forte.
Apesar das magnitudes próximas, os terremotos tiveram características diferentes que influenciaram diretamente seus efeitos sobre as populações.
Profundidade
A profundidade é um dos fatores que ajudam a determinar a intensidade com que um terremoto é sentido na superfície.
- Colômbia: 110 quilômetros de profundidade;
- Japão: 10 quilômetros;
- Venezuela: 20,3 quilômetros no primeiro tremor e 10 quilômetros no segundo.
O terremoto colombiano foi, portanto, o mais profundo dos três.
Onde ocorreram os tremores
Na Colômbia, o epicentro foi localizado em terra, na região de Chocó, no oeste do país.
No Japão, o epicentro também ocorreu em terra, próximo às cidades de Kumamoto e Uki, na ilha de Kyushu.
Na Venezuela, os epicentros ficaram no estado de Yaracuy, na região centro-norte do país, próxima à costa.
Danos à infraestrutura
Na Colômbia, o governo estimou inicialmente que cerca de 80 edifícios foram danificados ou totalmente destruídos. As cidades de Cali e Pereira estiveram entre as áreas mais afetadas.
No Japão, o terremoto provocou o desabamento parcial do shopping Aeon Mall, em Kashima, além da queda de uma chaminé em uma fábrica de papel da Nippon Paper. Também foram registrados danos em pontes e estradas, incêndios e interrupções no fornecimento de energia.
O sistema ferroviário de alta velocidade foi temporariamente suspenso, e o aeroporto de Aso Kumamoto chegou a ser fechado. As usinas nucleares do país, porém, não apresentaram anomalias.
Na Venezuela, os danos foram muito mais extensos. O governo informou que quase mil edifícios foram afetados, dos quais 190 desabaram. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar também foi danificado e fechado.
Pontes, estradas, redes de energia, abastecimento de água e sistemas de telecomunicações sofreram impactos. Segundo estimativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), as perdas econômicas chegaram a pelo menos US$ 6,7 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 34 bilhões.
Número de mortos
A diferença no número de vítimas é ainda mais expressiva:
- Colômbia: 233 mortos, segundo o balanço disponível na atualização da reportagem;
- Japão: 25 mortos;
- Venezuela: mais de 6,3 mil mortos, segundo o último balanço oficial.
Na Colômbia, mais de 570 pessoas ficaram feridas, enquanto no Japão cerca de 50 foram hospitalizadas. Na Venezuela, o número oficial chegou a 16.740 feridos.
Desaparecidos
A quantidade de pessoas desaparecidas também varia bastante entre os três países.
Na Colômbia, mais de 3 mil pessoas eram consideradas desaparecidas, de acordo com informações da Associated Press.
No Japão, a emissora NHK chegou a informar que entre 20 e 30 trabalhadores estavam desaparecidos em um shopping. Posteriormente, as autoridades confirmaram que todos foram resgatados.
Na Venezuela, não há um número oficial divulgado pelas autoridades, mas estimativas da ONU apontam que o número de desaparecidos pode chegar a 50 mil pessoas.
Preparação faz diferença
A capacidade de um país para lidar com terremotos é um dos principais fatores que ajudam a explicar por que tremores de magnitude semelhante podem provocar consequências tão diferentes.
A Colômbia possui normas de construção antissísmicas e está acostumada a registrar tremores por estar localizada em uma região de intensa atividade tectônica. No entanto, o número de estruturas danificadas pelo terremoto de magnitude 7,4 levou autoridades a investigar se as normas de segurança estão sendo devidamente cumpridas.
O Japão, por outro lado, é considerado uma referência mundial em prevenção de terremotos. O país possui códigos de construção rígidos, sistemas de alerta antecipado, simulados frequentes e protocolos de resposta rápida.
Por isso, é menos comum que terremotos provoquem danos estruturais generalizados em edifícios japoneses. Mesmo assim, o tremor de magnitude 7,1 provocou desabamentos parciais em estruturas importantes.
Na Venezuela, o cenário é bastante diferente. Muitos edifícios em áreas como La Guaira e Caracas não foram construídos de acordo com normas sísmicas modernas. Isso contribuiu para os colapsos registrados após os tremores.
A resposta à emergência também foi alvo de críticas. Em algumas regiões, famílias chegaram a procurar vítimas nos escombros utilizando as próprias mãos, diante da falta de equipamentos pesados para as operações de resgate.
Por que os resultados foram tão diferentes?
Os três terremotos mostram que a magnitude, sozinha, não determina o tamanho de uma tragédia. A profundidade do tremor, a distância em relação às áreas povoadas, o tipo de solo, a qualidade das construções, a densidade populacional e a capacidade de resposta das autoridades podem aumentar ou reduzir drasticamente o número de vítimas.
No caso da Venezuela, a combinação de tremores fortes e relativamente rasos com infraestrutura menos preparada contribuiu para uma destruição muito maior. No Japão, sistemas rigorosos de prevenção e construção ajudaram a limitar as consequências, mesmo diante de um terremoto de magnitude superior a 7. Já a Colômbia enfrenta agora o desafio de avaliar se suas normas de segurança foram suficientes para suportar um tremor de grande intensidade.





