As equipes de emergência da Colômbia entraram nesta quarta-feira (12) no terceiro dia de operações de busca e resgate após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país. Mais de 220 pessoas morreram e mais de 1.500 ficaram feridas, segundo uma contagem baseada em informações de autoridades locais.
O terremoto atingiu principalmente a região cafeeira e provocou danos em pelo menos cinco departamentos. A dimensão da destruição tem dificultado o trabalho das equipes de emergência e a consolidação dos números de vítimas.
A União Europeia mobilizou o serviço de satélites Copernicus e disponibilizou recursos financeiros para apoiar as operações de resposta ao desastre.
O terremoto também se tornou um dos primeiros grandes desafios enfrentados pelo novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo na sexta-feira (7). Na terça-feira (11), o presidente anunciou medidas de auxílio econômico para as pessoas afetadas e apoio financeiro para famílias que perderam suas casas, com possibilidade de utilização dos recursos para o pagamento de moradias temporárias.
Número de vítimas ainda pode aumentar
A contabilização das vítimas permanece descentralizada devido ao grande número de autoridades regionais envolvidas na resposta à emergência.
A Associação Colombiana de Capitais (Asocapitales), que atua em conjunto com o governo durante a crise, havia informado cerca de 180 mortes na manhã de terça-feira. O levantamento, porém, não incluía diversas cidades e municípios que não são capitais departamentais.
Com a atualização de dados provenientes de diferentes governos locais, o número de mortos ultrapassou 220, enquanto mais de 1.500 pessoas ficaram feridas.
O presidente esteve em Cali, Quibdó e outras áreas atingidas na segunda-feira (10) e afirmou que seguiria para a região cafeeira para acompanhar pessoalmente a resposta ao desastre.
Cinco capitais estão em alerta vermelho
Segundo a Asocapitales, Quibdó, Cali, Manizales, Pereira e Armenia estão em alerta vermelho.
Os danos, no entanto, atingem também municípios fora das capitais. No departamento de Valle del Cauca, a governadora Dilian Francisca Toro informou que 38 pessoas morreram em outras cidades e municípios, além das vítimas registradas em Cali.
Cali e Pereira estão entre as localidades consideradas mais críticas, com estruturas destruídas e pessoas presas sob os escombros.
Em Cali, o prefeito Alejandro Eder informou que pelo menos 239 pessoas estavam presas sob os escombros, enquanto 86 já haviam sido resgatadas.
Em Pereira, até a noite de segunda-feira, havia 53 pessoas presas em 58 estruturas que desabaram.
Ao todo, a Asocapitales contabilizou 152 estruturas destruídas e milhares de imóveis danificados. No Valle del Cauca, cerca de cinco mil casas foram completamente destruídas, segundo o governo departamental.
Aeroportos também foram afetados
A dimensão do desastre provocou dificuldades para o deslocamento de equipes e distribuição de recursos. As operações foram suspensas em sete aeroportos do país.
Em algumas unidades, os danos às pistas impediram a realização de voos. Em outras, a interrupção afetou apenas os serviços comerciais.
Apesar da gravidade dos impactos em diferentes regiões, Bogotá e Medellín, as duas maiores cidades colombianas, não registraram danos graves e mantiveram os protocolos de monitoramento e verificação.
Equipes de resgate são mobilizadas
A Cruz Vermelha ativou seu centro nacional de crise e mobilizou equipes de busca e resgate para os departamentos de Antioquia, Quindío e Caldas.
Também foram enviados 30 integrantes de equipes especializadas para Chocó, uma das regiões mais afetadas pelo terremoto.
As autoridades mantêm como prioridade a localização e o resgate de pessoas que possam estar vivas sob os escombros.
A Organização das Nações Unidas informou que ainda não recebeu um pedido oficial de assistência internacional do governo colombiano, mas afirmou estar preparada para atuar caso seja solicitada.
Segundo Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, o primeiro passo para uma eventual ajuda internacional será avaliar diretamente as áreas atingidas e identificar as necessidades mais urgentes, como água potável, alimentos, atendimento médico e kits de higiene.
Maior terremoto da Colômbia em uma década
O diretor-geral do Serviço Geológico da Colômbia, Julio Fierro Morales, afirmou que o terremoto de segunda-feira (10) foi o mais forte registrado no país na última década.
Segundo o especialista, o tremor está relacionado à dinâmica tectônica natural do oeste colombiano, região onde ocorre a subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana. Esse movimento explica a ocorrência frequente de terremotos de grande magnitude na região.
Um dos principais precedentes históricos ocorreu em 23 de novembro de 1979, quando um terremoto de magnitude 7,2 atingiu a Colômbia. Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas, de acordo com registros da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
O geólogo Gustavo Ortiz, doutor em Ciências Geológicas pelo Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina, também explicou que a região oeste da América do Sul está sujeita a fortes terremotos justamente por causa do processo de subducção, no qual a Placa de Nazca, localizada no Oceano Pacífico, mergulha sob a Placa Sul-Americana.





