A Colômbia entrou nesta sexta-feira (14) no quinto dia de buscas por sobreviventes do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na segunda-feira (10). Equipes de resgate continuam procurando pessoas desaparecidas ou que possam estar presas sob os escombros, embora as autoridades reconheçam que as chances de encontrar sobreviventes diminuem com o passar do tempo.
O balanço mais recente aponta 281 mortos, 3.971 feridos e 379 desaparecidos, segundo a Unidade Nacional para a Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD).
Resgate entra em fase mais difícil
Em Cali, uma das regiões mais afetadas, equipes de emergência começaram a alterar a estratégia em alguns pontos, deixando de concentrar todos os esforços exclusivamente na localização de sobreviventes e iniciando a retirada de escombros.
A mudança ocorre após as primeiras 72 horas do desastre, período considerado fundamental para as operações de busca e resgate.
O chefe da Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres, David Tamayo, afirmou que a possibilidade de encontrar sobreviventes está diminuindo, mas garantiu que as equipes continuarão trabalhando para localizar todas as pessoas consideradas desaparecidas.
O presidente Abelardo de la Espriella também afirmou que a prioridade das autoridades permanece sendo encontrar pessoas que possam estar presas sob os escombros.
As operações contam ainda com o apoio de equipes internacionais especializadas em resgates em espaços confinados.
Quase 80 mil imóveis afetados
Os impactos do terremoto atingiram também a infraestrutura do país. Segundo o relatório mais recente da UNGRD, 10.677 casas foram destruídas e outras 65.841 sofreram danos.
Além das residências, foram registrados danos ou destruição em 127 edifícios, 2.136 centros educacionais, mais de mil centros comunitários e 216 unidades de saúde.
Comunidades enfrentam dificuldades
Fora dos grandes centros urbanos, equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar a algumas comunidades afetadas.
Em Buenaventura, grupos de ajuda relataram que determinadas localidades só receberam assistência na noite de quarta-feira (12). Em algumas regiões, moradores chegaram a realizar buscas por conta própria entre os escombros.
Também foram relatados problemas no fornecimento de água, gás e energia elétrica. O acesso a alguns bairros permanece limitado devido à presença de grupos armados.
As autoridades colombianas afirmaram que não rejeitaram ofertas de ajuda internacional, mas que a entrada de equipes estrangeiras de busca e resgate depende do cumprimento de padrões de certificação reconhecidos.
Governo prepara plano de reconstrução
Diante da dimensão dos danos, o presidente Abelardo de la Espriella anunciou a preparação de um plano de recuperação e convocou empresas privadas para participar dos esforços de reconstrução.
O governo pretende declarar estado de emergência econômica e criar um fundo específico para reunir recursos nacionais e internacionais destinados à recuperação de hospitais, escolas, moradias e outras estruturas de infraestrutura.
O terremoto se tornou um dos primeiros grandes desafios enfrentados pelo novo governo colombiano, que havia assumido o comando do país poucos dias antes da tragédia.





