Redação Juruá Online
O Rio Juruá segue subindo em Cruzeiro do Sul e, na manhã desta terça-feira, 18, atingiu a marca de 13,62 metros. Devido ao avanço das águas, as primeiras famílias já estão sendo levadas para abrigos. Além disso, as aulas das escolas localizadas no bairro Miritizal, próximo ao rio, foram suspensas.
A Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer informou que a situação vem sendo monitorada desde o último domingo. De acordo com a secretária Rosa Lebre, equipes têm percorrido as escolas para avaliar o nível da água. “Ontem fizemos mais uma vistoria e decidimos suspender as aulas nas escolas do Miritizal porque, hoje, a água já chegou ao terreno ou até mesmo às próprias instalações. Nossos alunos precisam atravessar essa água para chegar à escola, o que é muito perigoso tanto para eles quanto para os profissionais da educação”, explicou.
Além das unidades do Miritizal, outras duas escolas na região central da cidade também tiveram as aulas suspensas. A decisão foi tomada para que os espaços pudessem ser utilizados como abrigos para as famílias desalojadas pela cheia. Segundo Rosa Lebre, a Escola Corazita foi priorizada por ter o maior número de salas, mas as unidades Thaumaturgo de Azevedo e Marcelino Champagnat também estão preparadas para receber mais desabrigados, caso necessário.
Com a paralisação das atividades escolares, a secretária destacou que as aulas precisarão ser repostas futuramente. “Infelizmente, essa é uma situação que foge ao nosso controle. O prefeito determinou que deixássemos esses espaços disponíveis para acolher as famílias afetadas, e precisamos ajudar quem está em situação de vulnerabilidade. No entanto, sabemos que essa interrupção impacta o andamento do ano letivo, mas garantimos que as aulas serão repostas para cumprir a carga horária obrigatória”, afirmou.
O prefeito Zequinha Lima informou que a prefeitura tem acompanhado de perto a situação e que as primeiras famílias estão sendo removidas para locais seguros. “Já temos três chamados para que possamos socorrer famílias que pediram para ser levadas a um local seguro. Nossa equipe da Defesa Civil e da Secretaria de Assistência Social estão tomando todas as providências”, afirmou o gestor.
Segundo o prefeito, o rio continua subindo, com um aumento médio de 4 a 5 centímetros a cada 12 horas. “Temos a perspectiva de que, nos próximos dois ou três dias, mesmo sem chuvas, o rio continue subindo devido às águas vindas de Porto Walter e Thaumaturgo. Por isso, estamos monitorando a situação via satélite e com visitas presenciais”, explicou.

A Secretaria Municipal de Assistência Social está atuando no acolhimento das famílias atingidas. De acordo com a secretária Milca Santos, as primeiras famílias estão sendo levadas para a Escola Corazita, que tem capacidade para abrigar até oito núcleos familiares. “Nossa equipe está pronta para recebê-los, fazendo cadastramento e acompanhamento, além de garantir alimentação e encaminhamentos necessários para serviços de saúde e educação”, afirmou Milca.
O coordenador municipal da Defesa Civil, José Lima, relatou que o rio já ultrapassou em 62 centímetros a cota de transbordo e está atingindo 12 bairros, além de diversas comunidades ribeirinhas. “Já temos 129 famílias sem fornecimento de energia elétrica. Continuamos monitorando e seguindo o plano de contingência”, destacou.
Suspensão das aulas afeta creches e preocupa comunidade escolar
Rosali Albano, responsável por uma das creches afetadas pela cheia, destacou a dificuldade de manter as atividades com o avanço das águas. “Fica inviável funcionar, pois, além da enchente, estamos sem energia elétrica. Atravessar de barco até a escola é perigoso para as crianças. Por isso, a Secretaria de Educação nos orientou a suspender as aulas”, explicou.
A prefeitura segue acompanhando o avanço das águas e adotando medidas para minimizar os impactos da cheia, tanto para os moradores afetados quanto para a comunidade escolar.







