Daniel Vorcaro afirmou em proposta de delação que Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e ACM Neto teriam direito a 10% sobre aportes captados para o Banco Master. Antônio é irmão de Fábio Rueda, candidato a deputado federal pelo Acre.
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um ingrediente com ligação direta com a política acreana. O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, irmão do candidato a deputado federal pelo Acre Fábio Rueda, foi citado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em uma proposta de colaboração premiada envolvendo supostas comissões sobre recursos de institutos de previdência destinados ao banco.
Segundo reportagem do UOL publicada nesta quinta-feira (10), Vorcaro afirmou que Antônio Rueda e ACM Neto teriam atuado para facilitar a entrada do Banco Master em institutos de previdência e receberiam o equivalente a 10% dos valores captados.
A acusação é grave, mas exige uma ressalva fundamental: trata-se da versão apresentada por Vorcaro em uma proposta de delação que não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República e, portanto, não foi homologada pela Justiça. Rueda e ACM Neto negam irregularidades.
Vorcaro fala em até R$ 200 milhões
De acordo com a reportagem, Vorcaro afirmou que Rueda e ACM Neto teriam participado da articulação que possibilitou ao Master captar cerca de R$ 2 bilhões por meio de institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Cedae.
Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, a comissão de 10% poderia representar uma obrigação de aproximadamente R$ 200 milhões.
Há, entretanto, uma diferença importante entre afirmar que existiria uma comissão calculada sobre determinado montante e comprovar que esse dinheiro efetivamente foi pago.
O próprio material obtido pelo UOL informa que Vorcaro não especificou quanto desse suposto valor teria sido efetivamente repassado aos políticos. Há também divergência entre alguns valores narrados pelo ex-banqueiro e dados já conhecidos das investigações.
Vorcaro apresentou mensagens e contratos que, segundo sua versão, ajudariam a sustentar o relato. A Polícia Federal já investigava relações políticas envolvendo aportes de fundos de previdência no Master.
Ligação com o Acre passa por Fábio Rueda
É neste ponto que o caso ganha interesse especial no Acre.
Antônio Rueda é irmão do médico Fábio Gonçalves de Rueda, candidato do União Brasil a deputado federal pelo Acre em 2026. A candidatura de Fábio consta na relação baseada nos dados oficiais do TSE.
Antônio, inclusive, esteve no Acre em junho durante o lançamento da candidatura do irmão à Câmara dos Deputados, evento que reuniu importantes lideranças políticas estaduais.
A relação familiar, obviamente, não transfere para Fábio Rueda qualquer suspeita ou responsabilidade pelas acusações feitas contra Antônio. Até o momento, as informações consultadas não apontam Fábio como envolvido nos fatos narrados por Vorcaro.
Mas a dimensão política é inevitável: o presidente nacional do partido é irmão de um dos candidatos que busca representar o Acre na Câmara Federal.
Campanha do irmão recebeu R$ 2 milhões da direção nacional do União
A ligação com o Acre ganha outro ingrediente quando se observa o financiamento da campanha de Fábio Rueda a deputado federal.
Dados do DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que Fábio dobrou os recursos recebidos em pouco mais de uma semana.
Em 26 de agosto, sua campanha registrava R$ 1 milhão em receitas. Na atualização de 5 de setembro, o montante chegou a R$ 2 milhões.
Todo o dinheiro declarado até então foi repassado pela direção nacional do União Brasil, partido presidido justamente por seu irmão, Antônio Rueda.
Até a atualização citada, não havia registro de recursos próprios, doações de pessoas físicas ou outras fontes na composição desses R$ 2 milhões.
Outro dado chama atenção: apesar do dinheiro disponível, o sistema ainda apresentava R$ 0 em despesas contratadas e R$ 0 em despesas pagas, sem fornecedores ou notas fiscais eletrônicas registrados naquele recorte da prestação de contas.
Os R$ 2 milhões representam aproximadamente 63% do limite de gastos de R$ 3.176.572,53 permitido para uma candidatura a deputado federal no Acre no primeiro turno.
O repasse partidário, por si só, não representa irregularidade. Recursos do fundo eleitoral podem ser distribuídos pelas direções partidárias conforme critérios e regras eleitorais aplicáveis.
Politicamente, porém, a coincidência chama atenção: Antônio Rueda preside nacionalmente o partido que destinou R$ 2 milhões à campanha do próprio irmão no Acre, enquanto agora seu nome aparece nas alegações apresentadas por Daniel Vorcaro relacionadas ao caso Banco Master.
Também é fundamental separar os fatos: Fábio Rueda não é apontado, nas informações apresentadas sobre a proposta de colaboração de Vorcaro, como participante das supostas operações envolvendo o Banco Master. A relação com o episódio decorre, até aqui, do vínculo familiar e político-partidário com Antônio Rueda.
Antônio Rueda nega irregularidades
Antônio Rueda afirmou ao UOL que não teve acesso ao documento citado e sustentou que os contratos mantidos pelo escritório do qual foi sócio com as instituições envolvidas eram lícitos e correspondiam a serviços efetivamente prestados.
O dirigente também rejeitou qualquer associação dos pagamentos com propina ou vantagem indevida.
ACM Neto igualmente negou as acusações, classificando as insinuações como falsas e destacando que a proposta de delação de Vorcaro não foi aceita nem homologada.
O episódio, portanto, ainda está no campo das alegações sob investigação, e não de fatos criminosos definitivamente comprovados.
Ainda assim, com o caso Master no centro de uma crise que já alcançou Polícia Federal, STF e importantes personagens da política nacional, a citação do presidente do União Brasil coloca também sob os holofotes um sobrenome que estará nas urnas do Acre em outubro.
Por: Yaco News





