Moradores de Cruzeiro do Sul devem ficar atentos ao receber mensagens que informam sobre supostas dívidas protestadas e exigem pagamentos urgentes. Criminosos estão utilizando dados pessoais verdadeiros, como CPF, RG e número de telefone, para produzir falsas intimações e convencer as vítimas a transferir dinheiro.
O alerta é de Kadiel Cavalcante Martins, tabelião interino do Cartório de Protesto da comarca de Cruzeiro do Sul e tabelião titular e oficial registrador da comarca de Mâncio Lima. Segundo ele, os golpistas conseguem informações das vítimas pela internet e utilizam esses dados para criar documentos que aparentam ser oficiais.

“Eles conseguem, através da internet, obter informações verídicas das pessoas, tais como RG, CPF e número de telefone. Através da obtenção desses dados, que são verdadeiros e passam uma certa credibilidade, acabam gerando uma intimação de protesto falsa ou um protesto falso”, explicou.
De acordo com Kadiel, a principal estratégia dos criminosos é provocar medo e criar uma sensação de urgência. As mensagens podem ameaçar a vítima com bloqueio de bens ou de contas bancárias caso o pagamento não seja feito imediatamente.
A credibilidade também pode ser reforçada pelo uso de informações relacionadas a dívidas antigas ou protestos que já foram cancelados, fazendo com que a pessoa acredite que a cobrança é legítima.
Um dos principais cuidados, conforme o tabelião, é desconfiar de mensagens que exigem pagamento imediato sob ameaça de bloqueio de contas ou de bens.
Kadiel esclarece que, mesmo quando a intimação é verdadeira e emitida pelo cartório, a legislação prevê o prazo de três dias para o pagamento, conforme as regras aplicáveis ao procedimento. Por isso, o destinatário não precisa agir por impulso nem realizar uma transferência sem antes verificar a autenticidade da cobrança.
“O primeiro passo é a questão da urgência. A pessoa recebeu uma intimação, mesmo sendo emitida pelo próprio cartório de protesto, e a lei define um prazo de três dias para o pagamento. Então, a pessoa não precisa fazer o pagamento de imediato”, orientou.
Ele também explicou que o protesto, por si só, não provoca automaticamente o bloqueio de contas bancárias ou a apreensão de bens. Na falta de pagamento, o procedimento pode resultar no registro do protesto e em restrições de crédito, mas isso não significa um bloqueio imediato dos recursos financeiros da pessoa.
Outra recomendação é não utilizar telefones, links ou contatos disponibilizados na própria mensagem suspeita. O ideal é procurar diretamente o cartório por meio de seus canais oficiais, como o telefone, o WhatsApp institucional ou o atendimento presencial, para confirmar se a intimação realmente existe.
Segundo Kadiel, os cartórios de protesto podem encaminhar intimações verdadeiras pelo WhatsApp, desde que utilizem os canais oficiais. Por isso, o simples recebimento de uma mensagem pelo aplicativo não significa necessariamente que se trata de fraude. A verificação da origem e do conteúdo da cobrança é fundamental.
O tabelião ressalta ainda que a consulta pode ser feita gratuitamente. Assim, antes de pagar qualquer valor, o cidadão pode entrar em contato com o cartório para verificar a autenticidade do documento e esclarecer eventuais dúvidas.
A verificação também pode abranger registros de outras regiões do país. De acordo com Kadiel, por meio da Central Nacional de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Tabeliães de Protesto (CENPROT), é possível consultar informações sobre protestos registrados em diferentes estados.
“Se de fato houver uma dívida protestada em nome da pessoa, a gente consegue, pela Central Nacional, consultar mesmo estando aqui em Cruzeiro do Sul. Conseguimos verificar se existe um protesto em São Paulo ou em outros estados da Federação”, explicou.
O tabelião reforça que a principal orientação é manter a calma, não se deixar pressionar por ameaças e confirmar a cobrança diretamente com os órgãos responsáveis.
Como evitar o golpe:
- Desconfie de mensagens que exigem pagamento imediato sob ameaça de bloqueio de contas ou bens.
- Não clique em links nem utilize telefones fornecidos na mensagem suspeita.
- Procure o cartório pelos canais oficiais para confirmar a autenticidade da intimação.
- Não faça transferências antes de verificar os dados da cobrança.
- Utilize os serviços oficiais de consulta, que podem ser acessados gratuitamente.
A orientação é que qualquer intimação ou cobrança seja verificada antes do pagamento. A presença de dados pessoais verdadeiros não garante que o documento seja legítimo.





