Brasil participa de estudo internacional que busca novos tratamentos e a cura da hepatite B

O Brasil passou a integrar um estudo internacional que busca compreender melhor o comportamento do vírus da hepatite B e desenvolver tratamentos mais eficazes, com a perspectiva de encontrar caminhos para a cura da doença.

O país será representado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), por meio do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), e pela Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa é liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e também reúne grupos de pesquisa da Índia, Senegal e Uganda.

Pesquisa vai acompanhar 600 pacientes

Os pesquisadores vão analisar o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países e investigar como o sistema imunológico reage à infecção. Pessoas que apresentam simultaneamente hepatite B e HIV também farão parte da pesquisa.

Ao todo, 600 pacientes serão acompanhados durante quatro anos e meio. Desse total, 75 serão analisados pelas equipes brasileiras.

No Brasil, as observações começaram no início deste ano e devem durar aproximadamente cinco anos.

Busca por novos caminhos para o tratamento

Um dos principais objetivos do estudo é entender por que a hepatite B evolui de maneira diferente entre os pacientes.

Os pesquisadores pretendem identificar características genéticas que possam oferecer proteção contra a progressão mais rápida da doença, além de analisar estruturas do próprio vírus que possam ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos.

A expectativa é que os resultados permitam encontrar novos alvos para medicamentos e estratégias capazes de estimular ou modular a resposta do sistema imunológico.

“O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, afirmou a professora do Hucam-Ufes e especialista no tema, Tânia Reuter.

Segundo a pesquisadora, a identificação desses alvos pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos.

“Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para a cura da hepatite B. [O que for achado] pode ser um alvo para o desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores, imunomoduladores, etc.”, explicou.

Brasil já recruta voluntários

As equipes brasileiras já iniciaram o recrutamento de participantes para o estudo. Atualmente, 40 voluntários integram a pesquisa, e a expectativa é que outros 35 participantes sejam incluídos até o final do ano, completando o grupo brasileiro previsto.

O que é a hepatite B?

A hepatite B é uma doença viral que afeta o fígado e pode apresentar desde alterações leves até quadros graves.

Em muitos casos, a infecção não provoca sintomas, o que pode dificultar o diagnóstico. Quando aparecem, os sinais podem incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

No Brasil, as hepatites virais mais frequentes são as dos tipos A, B e C. Também existem as hepatites D, registrada principalmente na Região Norte, e E, menos comum no país e mais frequente em algumas regiões da África e da Ásia.

A pesquisa internacional pretende, a partir do acompanhamento dos pacientes e da análise do vírus e da resposta imunológica, contribuir para o avanço do conhecimento científico e para o desenvolvimento de novas estratégias de combate à hepatite B.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS