O Banco Central informou nesta terça-feira (8) que ainda existem R$ 5,64 bilhões em recursos esquecidos por clientes em bancos, consórcios e outras instituições financeiras. O levantamento considera valores contabilizados até julho de 2026.
Do total disponível, R$ 4,24 bilhões pertencem a 23,6 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 1,4 bilhão está relacionado a 2,2 milhões de empresas.
Os valores podem ser consultados e solicitados por pessoas físicas, inclusive em nome de pessoas falecidas, e por empresas, por meio do sistema oficial do Banco Central.
Valor caiu pela metade desde março
Em março deste ano, havia R$ 10,6 bilhões em recursos esquecidos nas instituições financeiras. Parte desse montante foi transferida para um fundo público com o objetivo de viabilizar o Desenrola 2.0.
Em maio, o valor disponível havia caído para R$ 6,2 bilhões. Em junho, chegou a R$ 5,1 bilhões e, agora, o Banco Central registra R$ 5,64 bilhões que ainda podem ser resgatados.
A redução ocorreu após o governo utilizar parte dos recursos não reclamados para viabilizar o programa de renegociação de dívidas.
Governo usou parte dos recursos no Desenrola 2.0
No início de maio, o governo anunciou que utilizaria entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões dos recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para oferecer descontos no Desenrola 2.0, novo programa de renegociação de dívidas.
No fim de maio, aproximadamente R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO). O mecanismo oferece garantias às instituições financeiras e permite que parte dos recursos seja utilizada para cobrir eventuais calotes de pessoas que contrataram crédito.
Na ocasião, o governo informou que os recursos não reclamados seriam utilizados pelo FGO para garantir operações do sistema financeiro. Também foi estabelecida uma reserva de 10% do saldo transferido para atender eventuais pedidos de resgate feitos pelos correntistas.
TCU investiga uso dos recursos
O uso do dinheiro esquecido pelo governo passou a ser analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal investigam a utilização desses recursos para financiar programas federais sem que os valores passem pelo orçamento público.
A questão envolve os limites de gastos da União. Como os recursos foram utilizados fora do orçamento, eles não ficam submetidos diretamente ao limite de despesas que determina que os gastos públicos não podem crescer mais de 2,5% ao ano acima da inflação.
Caso o dinheiro tivesse sido incluído formalmente no orçamento, o governo teria de bloquear um montante equivalente em outras despesas discricionárias, que são aquelas sobre as quais existe maior margem de decisão do Executivo.
A situação poderia aumentar ainda mais as dificuldades orçamentárias em um ano eleitoral.
Em julho, o governo informou que, para cumprir o limite de despesas vigente, R$ 17,9 bilhões do orçamento dos ministérios ainda permaneciam bloqueados em 2026.
A restrição de recursos já afeta áreas como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e prestação de serviços à população, incluindo o funcionamento de agências reguladoras.
Como consultar o dinheiro esquecido
A consulta e a solicitação de devolução dos valores devem ser feitas exclusivamente pelo sistema oficial do Banco Central, que permite verificar a existência de recursos esquecidos por pessoas físicas, inclusive falecidas, e empresas.
Para receber os valores pelo sistema, é necessário fornecer uma chave Pix.
Quem não possui uma chave cadastrada deve entrar em contato com a instituição financeira responsável para combinar outra forma de recebimento. Também é possível criar uma chave Pix e retornar ao sistema para solicitar a devolução.
No caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, a consulta pode ser realizada por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais. Nesses casos, também é necessário preencher um termo de responsabilidade.
Depois da consulta, o interessado deve entrar em contato com as instituições financeiras indicadas pelo sistema e verificar os procedimentos necessários para receber os valores.





