Pouco mais de um mês após o ataque que deixou duas pessoas mortas no Instituto São José, em Rio Branco, o governo do Acre oficializou a criação de um comitê voltado à prevenção da violência e ao fortalecimento da segurança no ambiente escolar. A medida foi publicada na edição desta quarta-feira (10) do Diário Oficial do Estado (DOE), por meio de portaria da Secretaria de Estado de Educação e Cultura.
A iniciativa ocorre em meio às reflexões e debates provocados pela tragédia registrada em 5 de maio deste ano, quando um adolescente de 13 anos entrou armado no Instituto São José e efetuou disparos dentro da unidade de ensino.
O atentado resultou na morte da inspetora escolar Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e da funcionária Raquel Sales Feitosa, de 36 anos. Uma estudante de 11 anos e outra servidora também foram baleadas e sobreviveram após atendimento médico.
Mais de 30 dias após o episódio, a investigação segue sob segredo de Justiça e ainda não houve divulgação oficial sobre a motivação do ataque, uma das principais questões ainda sem resposta.
Quem fará parte do comitê
O Comitê Consultivo passa a integrar a estrutura do Observatório de Segurança Escolar e Articulação Interinstitucional e Comunitária, criado por decreto estadual em maio de 2025.
Segundo a portaria, o grupo será formado por representantes de órgãos que atuam diretamente na proteção de crianças e adolescentes e no atendimento de situações envolvendo violência, vulnerabilidade social e segurança.
Entre as instituições participantes estão Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais de Saúde, Assistência Social e da Mulher, Instituto Socioeducativo, Conselho Estadual de Educação, Secretaria Municipal de Educação de Rio Branco, Secretaria Municipal de Saúde, conselhos tutelares, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Universidade Federal do Acre (Ufac), Sebrae, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Casa do Estudante Acreano.
A função do grupo será auxiliar na avaliação das ações desenvolvidas pelo observatório e propor medidas para enfrentamento de casos de violência e criminalidade no ambiente escolar.
De acordo com a portaria, o Comitê Técnico-Executivo poderá convocar reuniões mensais para discutir ocorrências, avaliar estratégias e sugerir encaminhamentos relacionados à segurança nas unidades de ensino.
Reflexos da tragédia
O ataque ao Instituto São José provocou uma série de mudanças e mobilizações em todo o estado. Após o atentado, as aulas foram suspensas temporariamente em escolas públicas e privadas. Também foram anunciadas ações de apoio psicológico para estudantes, familiares e profissionais da educação afetados pela tragédia.
As forças de segurança passaram a reforçar o monitoramento das unidades de ensino e a investigar denúncias de ameaças e possíveis ataques em outras escolas acreanas.
O caso também gerou debates sobre protocolos de prevenção, acompanhamento da saúde mental de estudantes e fortalecimento da rede de proteção à infância e à adolescência.
Além disso, a Assembleia Legislativa aprovou recentemente um projeto de lei que prevê indenização especial para os dependentes das duas funcionárias que perderam a vida no atentado.
Investigações continuam sem resposta definitiva
Embora a rotina escolar tenha sido retomada gradualmente, as investigações seguem sem esclarecimentos públicos sobre pontos considerados centrais para a compreensão do caso.
Até o momento, não foi divulgado o que motivou o adolescente a realizar o ataque, nem se havia histórico de conflitos, bullying ou outras circunstâncias que possam ter influenciado sua conduta.
Também permanecem sem resposta questões relacionadas ao eventual planejamento prévio do atentado, ao acesso à arma utilizada e à participação ou conhecimento de outras pessoas sobre a ação.






