Acre registra aumento de casos graves de doenças respiratórias e alerta para alta ocupação de UTIs pediátricas

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A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) emitiu um alerta epidemiológico diante do crescimento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados nos primeiros cinco meses de 2026. O cenário preocupa as autoridades de saúde devido à elevada ocupação de leitos pediátricos e ao aumento da mortalidade entre crianças pequenas e populações vulneráveis.

De janeiro até a 20ª semana epidemiológica do ano, o Acre contabilizou 1.303 notificações de SRAG, número superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando foram confirmados 1.029 casos, e de 2025, que teve 989 ocorrências.

Segundo a Sesacre, o aumento dos casos está relacionado à circulação simultânea de diversos vírus respiratórios, entre eles Influenza A, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus, Adenovírus e Metapneumovírus. A combinação desses agentes tem contribuído para a manutenção de um elevado número de internações em todo o estado.

A situação tem provocado forte pressão sobre a rede hospitalar, especialmente nos serviços destinados ao atendimento infantil. Dados da Central de Regulação apontam ocupação de 87,7% dos leitos de enfermaria pediátrica, 89,2% dos leitos da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI Pediátrica) e 91,9% das vagas disponíveis nas UTIs pediátricas.

As crianças menores de dois anos estão entre os grupos mais afetados. Nessa faixa etária, os quadros mais frequentes são de bronquiolite, geralmente associados ao Vírus Sincicial Respiratório, com rápida evolução e necessidade de suporte respiratório. Entre crianças de 2 a 9 anos, predominam os casos de pneumonia.

O alerta também destaca preocupação com a mortalidade. Embora o número total de óbitos por SRAG em 2026 seja menor que nos anos anteriores, o perfil das vítimas mudou. Dos 37 óbitos registrados até o momento, 14 ocorreram entre crianças na primeira infância. Metade dessas mortes envolveu menores de dois anos.

Outro dado considerado crítico pelas autoridades é a situação do município de Feijó, que concentra nove mortes por SRAG neste ano. Destas, seis ocorreram entre crianças indígenas, evidenciando a vulnerabilidade dessas comunidades diante das doenças respiratórias.

Diante do cenário, a Sesacre orienta os serviços de saúde a reforçarem a vigilância dos casos, ampliarem a capacidade de atendimento hospitalar quando necessário e garantirem o diagnóstico precoce dos pacientes com sinais de agravamento. A recomendação inclui ainda a administração imediata do medicamento Oseltamivir (Tamiflu) para pacientes dos grupos de risco com sintomas gripais, sem necessidade de aguardar confirmação laboratorial.

A Secretaria também reforça a importância da vacinação contra a gripe e demais medidas de prevenção, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, grupos considerados mais suscetíveis às complicações das infecções respiratórias.

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