Cuba enfrenta uma das piores crises de transporte público de sua história, segundo o ministro dos Transportes do país, Eduardo Rodríguez Dávila. A escassez de combustível reduziu drasticamente a oferta de ônibus e trens, obrigando a população a recorrer a caronas, transportes compartilhados improvisados e serviços particulares mais caros.
A crise se intensificou no fim de janeiro de 2026, quando os Estados Unidos adotaram medidas que impediram a importação de combustível para a ilha. O bloqueio, que já dura nove meses, ocorre em meio ao endurecimento das sanções americanas contra o governo cubano.
Washington afirma que as medidas são necessárias para derrubar o regime. Cuba e as Nações Unidas, por sua vez, consideram o embargo ilegal e uma violação dos direitos humanos da população.
Viagens de ônibus e trem são reduzidas
De acordo com Dávila, a redução na disponibilidade de combustível comprometeu severamente o transporte entre as províncias cubanas. Antes, o país registrava cerca de 419 partidas nacionais de ônibus. Atualmente, a média caiu para pouco mais de 11 por dia.
Das mais de 100 rotas existentes, apenas 21 podem ser atendidas. O transporte ferroviário também sofreu cortes: se anteriormente havia um trem para as províncias a cada quatro dias, agora a frequência passou para uma viagem a cada 16 dias.
Diante das dificuldades, os cubanos têm buscado alternativas para se deslocar, enquanto o governo tenta adaptar a infraestrutura de mobilidade à nova realidade.
Veículos elétricos ganham espaço
A crise de combustível acelerou a procura por veículos elétricos em Cuba. Segundo dados do governo, esse tipo de transporte representava 3,5% das vendas no ano passado. Em agosto de 2026, a participação chegou a 40%.
O Ministério dos Transportes estima que, entre os quase um milhão de veículos registrados no país, aproximadamente 150 mil sejam elétricos. O número, porém, pode ser maior, já que muitos automóveis são importados por particulares e ainda não constam nos registros oficiais.
“Estamos agora em processo de registrá-los. Então, o número real é certamente muito maior, e é por isso que se veem tantos nas ruas”, afirmou o ministro.
A expansão da frota elétrica também exige investimentos em pontos e redes de recarga. Segundo Dávila, o desenvolvimento dessa infraestrutura está avançando, mas o crescimento do número de veículos aumenta a pressão sobre o sistema elétrico.
Falta de energia também afeta os elétricos
Mesmo com a ampliação do uso de veículos elétricos, Cuba enfrenta dificuldades para manter o sistema de transporte funcionando. Durante uma visita organizada pelo governo para jornalistas, dezenas de triciclos elétricos amarelos de uma empresa estatal foram vistos parados em uma garagem por falta de eletricidade para recarregar as baterias.
O cenário evidencia um dos principais desafios do país: substituir parte da frota movida a combustível sem dispor de energia suficiente para abastecer os veículos elétricos.
Com a redução das viagens de ônibus e trem, o aumento dos custos dos transportes privados e as limitações da rede elétrica, a crise de mobilidade continua afetando o cotidiano da população cubana.





