Governo Trump determina retirada de livros sobre diversidade de escolas militares dos EUA

O sistema de ensino administrado pelo Pentágono para filhos de militares americanos está passando por uma série de mudanças durante o governo Donald Trump. Entre as medidas está a determinação para que livros que abordam temas como raça, sexismo e questões LGBTQ+ sejam retirados do acesso dos estudantes.

A orientação foi encaminhada aos administradores da DoDEA (Department of Defense Education Activity), rede escolar que atende cerca de 66 mil filhos de militares americanos em aproximadamente 160 escolas, distribuídas por cerca de uma dúzia de países, além de estados e territórios dos Estados Unidos.

Segundo um memorando enviado às unidades, todos os exemplares físicos de centenas de livros considerados proibidos pelo Departamento de Defesa devem ser retirados das salas de aula e das bibliotecas e mantidos em locais seguros. O documento determina “100% de conformidade” e informa que o Pentágono acompanhará o cumprimento da medida.

Entre as obras atingidas estão a série de histórias em quadrinhos “Heartstopper” e o livro “Feminist AF: A Guide to Crushing Girlhood”. A medida ocorre enquanto uma ação judicial relacionada à retirada dos livros tramita na Justiça federal americana.

Mudanças no currículo

Além da retirada das obras, o Pentágono vem trabalhando na implementação de um currículo baseado na chamada “educação clássica”, conceito que valoriza o cânone ocidental. A proposta é defendida pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, por aliados de Trump e por grupos educacionais conservadores.

Outra frente envolve a ampliação da chamada “escolha escolar” para famílias de militares. A proposta permite maior liberdade na definição da escola frequentada pelos estudantes.

A partir de janeiro, professores também deverão trabalhar com os alunos dois romances selecionados em uma “Lista de Leitura do Diretor”. De acordo com um memorando enviado às escolas, os docentes deverão utilizar planos de aula preparados pela sede da DoDEA, em Washington.

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, os professores foram orientados a não modificar ou complementar os planos de aula fornecidos pela administração.

Debate sobre as mudanças

A transformação da rede tem provocado críticas e apoio de diferentes setores. Críticos do Pentágono afirmam que as mudanças podem restringir conteúdos disponíveis aos estudantes e levantam preocupações sobre censura e sobre os limites impostos ao currículo.

Já setores conservadores defendem alterações na DoDEA sob o argumento de que o sistema teria adotado conteúdos excessivamente associados a pautas progressistas. Também há críticas relacionadas à participação dos pais nas decisões sobre a educação dos filhos.

Um representante do Pentágono afirmou que a DoDEA continua comprometida em oferecer aos estudantes filhos de militares educação e oportunidades de qualidade. Segundo ele, a ampliação da educação clássica e cívica pretende fortalecer o pensamento crítico e as habilidades de comunicação.

O deputado Gil Cisneros, democrata que foi subsecretário de Defesa para Pessoal e Prontidão durante o governo Joe Biden, afirmou que as mudanças representam uma alteração filosófica na política educacional do sistema e questionou se elas estão baseadas em dados de aprendizagem.

Rede apresenta histórico de desempenho

A DoDEA atende estudantes desde a pré-escola até o ensino médio e possui histórico de desempenho acima da média nacional em testes exigidos pelo governo federal, segundo os dados apresentados na reportagem.

Apesar disso, integrantes da direita americana têm criticado o sistema e afirmado que seu currículo teria adotado uma orientação ideológica de esquerda. Sob a gestão de Hegseth, aliados do governo foram nomeados para atuar sobre essas questões, substituindo, em alguns casos, funcionários federais de carreira que trabalhavam na agência havia anos.

As mudanças ocorrem enquanto professores e administradores aguardam novas orientações sobre o currículo. Segundo relatos de funcionários, ainda existe incerteza sobre quais alterações serão implementadas, quando entrarão em vigor e como afetarão o trabalho em sala de aula.

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