O papa Leão XIV se reuniu com migrantes e refugiados na manhã deste sábado (26), em Paris, durante o segundo dia de sua visita à França. Antes de celebrar uma missa que deve reunir cerca de 600 mil pessoas, o pontífice visitou a Casa Bakhita, associação católica que acolhe migrantes na capital francesa.
Durante o encontro, Leão XIV ouviu relatos de pessoas exiladas do Afeganistão e da Nigéria e defendeu a convivência baseada na dignidade e na paz. A missa está marcada para as 13h, no horário de Brasília, na região da Praça da Concórdia e da Avenida Champs-Élysées.
“Estou feliz em começar este segundo dia em Paris com vocês, nesta casa que é um testemunho para toda a cidade de que é possível se encontrar e conviver com dignidade e paz”, afirmou o papa.
Leão XIV é norte-americano e neto de imigrantes. Durante a visita, também fez referência a Santa Josefina Bakhita, que dá nome ao centro, e destacou a necessidade de atenção às pessoas que vivem em situações de vulnerabilidade.
“Santa Bakhita nos convida a ver aqueles que são invisibilizados, a libertar aqueles que a economia e a cultura reduzem à escravidão hoje, a honrar a infinita dignidade de cada irmão e irmã”, declarou.
A Casa Bakhita foi fundada em 2017, após um apelo do papa Francisco para que os países acolhessem, protegessem e integrassem estrangeiros. O espaço homenageia Josefina Bakhita, uma sudanesa que foi escravizada, tornou-se freira e posteriormente foi canonizada pela Igreja Católica.
Visita ocorre em meio ao debate sobre imigração
A passagem do pontífice pela instituição ocorre em um momento de intenso debate sobre imigração na Europa. Na França, o tema deve ter espaço importante na disputa presidencial de 2027.
Para os responsáveis pela Casa Bakhita, a presença do papa tem significado simbólico diante da relevância que a imigração deve ganhar no cenário político francês.
“Muito mais pessoas são a favor de acolher os migrantes e construir uma nova sociedade, esta civilização do amor da qual o papa fala”, afirmou Marcela Villalobos, coordenadora das Capelanias Católicas para a Migração da Conferência Episcopal Francesa, após o encontro.
Missa deve reunir 600 mil fiéis
A missa celebrada por Leão XIV neste sábado deve reunir aproximadamente 600 mil pessoas e contará também com a presença de candidatos à Presidência da França, a cerca de sete meses das eleições.
O presidente francês, Emmanuel Macron, não participará das celebrações durante os quatro dias da visita papal. Segundo o Palácio do Eliseu, a decisão está relacionada ao princípio da laicidade do Estado francês.
O governo será representado pelo ministro Sébastien Lecornu e pela primeira-dama, Brigitte Macron.
Leão XIV chegou à França na sexta-feira (25), às 9h56, pelo Aeroporto Internacional de Paris-Orly, onde foi recebido por Macron.
Depois da missa em Paris, o pontífice seguirá para o santuário de Lourdes, no sul da França, um dos principais destinos de peregrinação católica do mundo, que recebe cerca de 3 milhões de visitantes por ano.





